Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Médicos portugueses concorrem a prémio internacional. E você pode ajudá-los a vencer

Sociedade

  • 333

A equipa de médicos portugueses, no concurso do NEJM. Da esquerda para a direita: João Sérgio Neves,Miguel Bigotte Vieira, Rita Magriço, Catarina Viegas Dias,Lia Leitão,

Ganha o melhor trabalho científico e o voto do público também conta. Portugueses estão, até agora, entre os três primeiros. Concurso termina no dia 28

Sara Sá

Sara Sá

Jornalista

Catarina Viegas Dias e Rita Magriço são ambas médicas. E as duas entendem que fazer investigação clínica é tão importante para a profissão como dar consultas, prescrever análises e ajustar terapêuticas. Esta convicção sai-lhes do pelo. Que é como quem diz, todo o trabalho de investigação tem de ser feito nos tempos livres ou nas horas de sono. Também defendem que o doente deve ter uma palavra a dizer na sua saúde, participando na tomada de decisões.

No New England Journal of Medicine, esta bíblia das publicações científicas, também se apoia o envolvimento dos cidadãos nas questões da Medicina. É por isso que num concurso promovido pela publicação, além de um júri composto por especialistas, conta ainda o voto do público para a escolha do melhor trabalho de investigação.

A proposta foi que se usasse a base de dados de um dos mais importantes estudos divulgados no ano de 2016, o SPRINT, para fazer outros estudos.

Uma das grandes novidades que o SPRINT trouxe foi mostrar que “em pessoas hipertensas, sem diabetes mas com alto risco cardiovascular, se a tensão arterial fosse tratada intensivamente (trazendo a tensão máxima para valores inferiores a 120mmHg, ou 12) havia redução na mortalidade e nas complicações cardiovasculares, como enfartes e AVCs e outros”, resume Catarina Viegas Dias, que está no último ano da especialidade em Medicina Geral e Familiar. No entanto, em alguns doentes, este tratamento tão intensivo para fazer baixar a tensão arterial traduz-se em dano para o rim. “Em pessoas sem qualquer problema renal prévio”, clarifica a médica.

Os médicos portugueses – cinco ao todo - quiseram perceber melhor este fenómeno, para estabelecer um compromisso: até quanto se deve baixar a tensão, para que haja benefício cardíaco, sem causar dano no rim.

E concluíram que o risco aumentado, ao nível deste órgão, estava associado a maiores amplitudes de dimunuição da pressão arterial média, sem que isso resulte em diferenças significativas ao nível da mortalidade e dos eventos cardiovasculares. Pelo que se sugere que “reduções mais pequenas de tensão arterial, em pacientes que tinham no início do tratamento pressões mais altas, possa ser mais seguro”. Ou seja, a descida, muito abrupta, da tensão arterial pode significar uma agressão demasiado forte para o organismo.

Rita Magriço, nefrologista, que frequentou com Catarina Viegas Dias a formação em investigação clínica do programa Harvard Medical School-Portugal, alerta, no entanto: “se o doente tolerar, é vantajoso ter uma abordagem mais agressiva, baixando a tensão até aos 120 mmHG. Mas é preciso ter a certeza de que fazemos mais bem do que mal.” Para isso, é fundamental envolver o doente desde o início do tratamento, ouvir-lhe as queixas e ter atenção a vários sinais.

Foi com este trabalho que a equipa portuguesa concorreu. Até ao final de fevereiro pode votar.