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Transformar corpos em árvores para lidar com a morte

Sociedade

Há várias opções para usar os restos mortais dos entes queridos para fazer crescer árvores

O conceito é simples: usar os restos mortais humanos como composto fértil para promover o crescimento de árvores, através dos nutrientes que os corpos libertam.

Além de o resultado final poder ser usado como local ou objeto de culto, esta opção tem ainda a vantagem de ser amiga do ambiente, uma vez que não só permite evitar o corte de árvores para produzir caixões, como ainda cria uma nova árvore.

A “Urn Bios”, a opção mais "tech", é da autoria de Gerard Moliné. Falamos de um recipiente 100% biodegradável, por norma de pinheiro mas sujeito a escolhas personalizadas, que deve encher com as cinzas do seu falecido. A semente da árvore escolhida deve ser colocada no topo.

Uma vez plantada num vaso grande com terra, o controlo do crescimento da sua árvore pode ser feito através da App (onde verifica a percentagem que falta para a semente se tornar árvore) e a rega também é automática ou controlável via smartphone através da aplicação. Estas urnas biológicas podem ser encomendadas através do site oficial (há envios para Portugal).

O Poetree de Margaux Ruynant, é um projeto semelhante ao Bios Urn que permite colocar também as cinzas num pote biodegradável com um topo de cerâmica que terá as inscrições do falecido como acontece tipicamente com os caixões. A semente da árvore escolhida é colocada no centro e poderá crescer em casa até o pote deixar de ter espaço para as raízes, altura em que deverá ser plantada no solo para continuar a crescer.

A "Capsula Mundi" foi desenvolvida pelos italianos Anna Citelli e Raoul Bretzel. Permite colocar os corpos (em posição fetal) dentro de uma cápsula oval biodegradável. A semente da árvore, que pode ser escolhida em vida ou posteriormente pelos familiares, é colocada cobre esta cápsula oval e plantada ao ar livre onde os envolvidos entenderem. A criação destes cemitérios que são florestas entra em conflito com a constituição italiana e, por isso, este projeto está ainda na fase de start up.

A estética "Capsula Mundi" (Site oficial)

A estética "Capsula Mundi" (Site oficial)

O projecto "Arum", da autoria de Carla Cava, permite colocar as cinzas dos falecidos em troncos de árvores já existentes. É um anel feito, por um processo de construção tecnológico, das cinzas e de material orgânico que vai ajudar ao crescimento da árvore até se desintegrar.