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Químicos naturais vs artificiais: Há mesmo os "maus da fita"?

Sociedade

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© Leonhard Foeger / Reuters

Os químicos estão em tudo o que comemos e cheiramos. E ao contrário do que é comum assumir-se, os naturais nem sempre são melhores

Os químicos naturais são bons e os artificiais são maus? Não é bem assim, como demonstra um artigo publicado no Business Insider.

Há muitos químicos naturais nos sabores e colorações dos nossos alimentos e muitos deles têm nomes tão estranhos como os dos sintéticos.

O cheiro característico do cravinho, por exemplo, vem de um químico chamado eugenol e a canela - retirada do interior seco do tronco de árvores especificas - tem aquele aroma e sabor tão pronunciados por via de um químico chamado cinamaldeído.

Tanto os sabores naturais como os artificiais contêm químicos mas a grande distinção reside, claro, nas suas origens: Os de origem natural são criados a partir de algo que pode ser comido - como animais ou vegetais - mesmo que sejam processados em laboratórios para criar ou adicionar um sabor ou cheiro a um produto; os artificiais são criados a partir de elementos não comestíveis - como o petróleo - processados para criar sabores naturais.

O uso de químicos artificiais não traz só desvantagens. São usados porque, geralmente, têm um custo de produção mais baixo (não envolvem encontrar ou adquirir os recursos na natureza). Além disso, podem até ser mais seguros porque são rigorosamente testados antes de serem usados e podem também ser mais amigos do ambiente porque não envolvem o desenvolvimento de plantações.

O composto químico que dá sabor à baunilha, por exemplo, existe na Natureza se recorrermos a umas orquídeas com origem no México, mas o seu processo de extração é extremamente lento e dispendioso. Assim, os cientistas criaram em laboratório uma formula sintética para o sabor e aroma da baunilha.

Curiosidades

- O numero de químicos usado para fazer o sabor a morango artificial que encontramos nos batidos do fast food, por exemplo, é semelhante ao número de químicos encontrados num morango fresco.

- Em 2006, Mayu Yamamoto, uma investigadora japonesa, ganhou o Prémio IgNobel da química - os prémios que destacam as descobertas cientificas mais engraçadas e improváveis - por ter descoberto uma forma de extrair o aroma da baunilha a partir de fezes de vaca.

- Alguns sabores naturais podem ser mais perigosos do que os artificiais: O sabor natural da amêndoa, por exemplo, contém vestígios de cianeto e de benzaldeído (que pode ser cancerígeno) e a soja em grão, que é uma das bases do molho de soja, é também tóxica.