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Haja alegria na praça da Alegria

Sociedade

A avenida da Liberdade está um brinquinho, o Príncipe Real nem se fala. Mas a Praça da Alegria tem ficado perdida neste enclave. Agora, uma petição será entregue ao presidente da câmara de Lisboa a pedir que as coisas mudem por lá

DR

Quem não assinou que assinasse. Quer dizer, ainda pode fazê-lo até ao final do sexta, dia 10. Depois, a petição pela revitalização da Praça da Alegria e pela ação urgente da CML de forma a evitar danos irremediáveis no seu património, que já juntou mais de 600 signatários, irá parar às mãos de Fernando Medina, presidente da câmara de Lisboa.

Falámos com Catarina Lopes, diretora geral da EastBanc Portugal, uma das impulsionadoras desta ação, que integra a associação Os amigos da Praça da Alegria e Parque Mayer.

Porque decidiram arrancar com esta petição?

A EastBanc Portugal é uma empresa que desenvolve projetos de revitalização em Lisboa com impacto positivo em áreas urbanas definidas. O centro das nossas atividades é o Principe Real, onde lançámos projetos de promoção do empreendedorismo nacional (Embaixada) e onde o nosso fundo é proprietário de quase 50% do comércio de rua tradicional. Como mantemos a propriedade dos ativos comerciais a longo prazo, os interesses da comunidade local e da própria empresa estão perfeitamente alinhados.

De que forma é que isso tem a ver com a situação da Praça da Alegria?

No caso da Praça da Alegria, há anos que nos entristece o seu estado de abandono. No âmbito do programa municipal Uma Praça em cada Bairro estava previsto que a reabilitação estaria concluída no final do ano passado, mas, até agora, não há sequer data de início definida.

Por outro lado, sempre pensámos para o topo sudeste da Praça (do qual faz parte o logradouro privado do nosso edifício), criar um espaço de fruição pública com esplanadas e zonas ajardinadas. Dado o tamanho do nosso edifício, assim como o do contíguo, para existir a libertação dos pisos térreos de entradas de garagem e, consequentemente, também a ocupação de espaço público com os seus acessos, é necessário que os edifícios colaborem. Aliás, é exatamente isso que a CML expressa numa das linha de orientação para a Praça da Alegria no seu programa Uma Praça em cada Bairro: "Intervenção junto dos proprietários particulares, no sentido de estimular a reabilitação dos edifícios e transformação dos pisos térreos em espaços potenciadores de uso público”.

Mas nada aconteceu, pelos vistos...

Há cerca de ano e meio fizemos uma primeira proposta à CML, que acabou por evoluir para a versão que agora faz parte da Iniciativa de Vizinhança. Parece-nos por demais evidente que ter comércio tradicional no piso térreo, em vez de grelhas de garagens, é uma solução benéfica para todas as partes envolvidas: os donos dos edifícios, que podem arrendar o espaço comercial libertado e assim financiar a obra de circulação conjunta, os moradores e visitantes, que ganham espaço de fruição pública, e Lisboa, que vê o seu património histórico dignificado.

Apesar da nossa iniciativa ir ao encontro dos interesses do Município, o processo já se estende há demasiados meses. Neste momento, os nossos vizinhos estão já em fase avançada de obras e temos muito pouco tempo para poder juntar os edifícios através do subsolo.

O que é a Iniciativa Vizinhança a que se referiu acima?

Trata-se de uma peça essencial na execução destas linhas de acção da CML. Propõe a partilha de um acesso já aprovado pela Rua da Conceição da Glória (No Palácio São Miguel) por três edifícios e de um sistema de circulação em subsolo, libertando os pisos térreos voltados para a Praça da Alegria, assim como todo o espaço ajardinado à superfície que está localizado sobre esse sistema de circulação para acesso aos lugares de garagem por baixo dos respetivos edifícios.

Há interesse profissional da Eastbanc na reabilitação da praça?

Sim, somos proprietários do edifício Avenida da Liberdade, 81-89, tornejando a Praça da Alegria 1 a 3 - edifício que ainda não está em obras.

Neste momento, o que está previsto para a Praça?

As linhas de ação do programa Uma Praça em cada Bairro têm como objetivos gerais a pedonalização dos topos nascentes sobrelevados da praça (esplanadas), maior acessibilidade e eliminação de barreiras entre Praça da Alegria e Príncipe Real, instalação de parque infantil, condicionamento à circulação rodoviária, além da intervenção junto dos proprietários já referida.

O que pede a petição para a Praça da Alegria?

Uma data para execução da intervenção em espaço público prevista pela CML no âmbito programa Uma Praça em cada Bairro e a aprovação célere do projeto proposto pela Iniciativa de Vizinhança que tem já aprovações de todos os departamentos técnicos, salvo da Gestão do Património que aguarda aprovação superior desde 8 de Julho de 2016.