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Quando ser peão é um perigo

Sociedade

KENZO TRIBOUILLARD / GettyImages

Se insistir em utilizar o telemóvel enquanto atravessa a rua coloca-se numa situação vulnerável. Estudo da Prevenção Rodoviária Portuguesa conclui que mais de 15% dos peões o fazem

Durante 13 dias do mês de janeiro (10 a 23) mais de cinco mil peões foram o alvo de observação da Prevenção Rodoviária Portuguesa. Propósito: saber se utilizam o telemóvel enquanto atravessam a rua. Sim, mais de 15% não largaram o aparelho.

O estudo, feito em 20 locais da cidade de Lisboa, em passagens de peões com semáforos, mostrou que 5,7% estavam a falar ao telefone, 4,8% estavam a manuseá-lo (mandar mensagens, nas redes sociais ou a consultar o email) e 5,9% estavam a usar os auriculares. Daí se conclui que mais de 15% estavam a interagir com essa “quase extensão” do braço que se tornou o telemóvel.

Este “voyeurismo” estatístico decorreu nos dias úteis em três horários diferentes – de manhã, à hora de almoço, e ao fim da tarde – e foram observados 5 223 peões.

Os mais prevaricadores foram os jovens até aos 30 anos, com 28,5% deles a serem “apanhados” numa das três atividades citadas (a falar, enviar mensagens ou a usar os auriculares). A faixa etária entre os 30 e os 60 anos ficou-se pelos 17,3% e os mais velhos pelos 2,7%.

E quem fala mais: eles ou elas? O estudo demonstra que estão mais ou menos equiparados, com as mulheres a falar mais ao telefone, enquanto os homens usam mais os auriculares. E é durante a parte da manhã que estes são mais utilizados, já a hora de almoço e o fim da tarde servem mais para pôr a conversa em dia.

Somos campeões na distração – ao colocarmo-nos em perigo quando atravessamos a rua? Não. Um outro estudo, apenas feito em seis capitais europeias, pela alemã Dekra Accident Research (empresa que analisa as causas de acidentes rodoviários e que realiza testes neste âmbito), em 2016, diz que os habitantes de Estocolmo, na Suécia, são piores. 23,5% dos peões utilizam o telemóvel. Lisboa, fica assim, em segundo lugar deste pódio, seguida de Berlim (14,9%), Paris (14,53%), Bruxelas (14,12%), Roma (10,2%) e Amesterdão (8,2%).