Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

É tudo mau no fast food, até as embalagens

Sociedade

© Lucy Nicholson / Reuters

As embalagens usadas para não deixar passar a gordura do fast food estão recheadas de químicos altamente prejudiciais à saúde. O ambiente também está em causa com o uso destas substâncias.

Gordura, amido, calorias, sal e açúcar com fartura. Não é difícil encontrar defeitos no fast food mas agora parece que o problema não está unicamente no que come mas também, no local onde lhe servem o que come.

São pacotes por onde não passa a gordura - como os envelopes das batatas fritas, hambúrgueres e wraps ou as caixas de pizza - as embalagens de fast food estão carregadas de substâncias químicas que contaminam a sua comida e o meio ambiente e que são potencialmente perigosas para a saúde pública.

O PFOA, a sua resistência e as consequências impressionantes na saúde e no ambiente

Uma das substâncias presentes neste tipo de embalamento permeável à gordura é ao PFOA (Ácido perfluoro-octanoico), um químico usado em dezenas de produtos pela sua capacidade de resistência - sacos de pipocas que não ao micro-ondas, nos tachos e panelas antiaderentes, roupara à prova de água, produtos de voo, etc. - que não cede nem a elevadas temperaturas e é muito difícil de eliminar.

Têm-se estudado possíveis relações entre esta substância e o aumento dos níveis de colesterol elevado, problemas no sistema imunitário das crianças, hipertensão na gravidez, falta de peso no nascimento e alguns tipos de cancro.

A confirmação cientifica dos riscos deste químico para a saúde foi tão clara que ele foi banido da indústria americana em 2011.

Mas corre, ainda hoje nos lençóis de água e no solo e, ao que parece, não desapareceu ainda totalmente dos alimentos que comemos. Uma investigação mais recente conduzida por cientistas da Environmental Working Group, the Environmental Protection Agency e de outras instituições encontrou vestígios de PFOA em embalagens usadas em restaurantes de fast food entre 2014 e 2015. Segundo estes resultados, mais de metade das amostras de embalagens de wraps, sandes e sobremesas e sobremesas testadas continham elevados e perigosos níveis de flourine - um elemento químico altamente tóxico.

Além desta descoberta, sabe-se também que a nova geração de produtos resistentes à gordura - os polyfluoroalkyls (PFCs ou PFASs) - que continua a ser usado nas embalagens de comida também é difícil de destruir, contamina o ambiente durante longos períodos de tempo e contém químicos com estruturas moleculares muito semelhantes às do PFOA.

Em 2015, o grupo de cientistas internacionais acima referido lançou um alarme sobre o caso, pedindo aos produtores para "pararem de usar PFASs quando não são fundamentais ou quando existem outras alternativas mais seguras".

E esta questão é importante, porque existem muitas opções de papéis e cartões sem PFCs no mercado, amigas da saúde e do ambiente, e que não são como estes que, por muito que se destruam, continuam a libertar por muitos anos os compostos químicos de que são feitos, colocando em risco as fontes de agua e até as plantas e solos.