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Descoberta combinação de medicamentos que pode prolongar a esperança de vida de doentes com cancro do pâncreas

Sociedade

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© Handout . / Reuters

Investigadores britânicos descobriram que a junção de dois medicamentos quimioterapêuticos pode estender a sobrevivência de doentes com cancro do pâncreas para cinco anos

Foi dado um "passo monumental" no tratamento de doentes com cancro do pâncreas, assim garante um grupo de investigadores britânicos, depois de um ensaio clínico ter demonstrado que a combinação entre dois medicamentos pode prolongar significativamente a esperança de vida dos doentes.

O estudo, publicado na revista médica The Lancet, revelou que quando eram administrados, em conjunto, dois medicamentos quimioterapêuticos – gencitabina e capecitabina – aos doentes em pós-operatório, 29% dos doentes viveram mais cinco anos. Comparativamente, quando a gencitabina foi tomada sozinha, só 16% dos doentes sobreviu esse tempo.

"Estes resultados são um passo em frente monumental no tratamento do cancro do pâncreas. Acreditamos que isto pode ser uma verdadeira mudança no tratamento deste cancro resistente, dando a um número substancialmente maior de doentes que tiveram a cirurgia a possibilidade de viverem mais tempo e, principalmente, sem mais efeitos secundários significativos", referiu Leanne Reynolds, o investigador que liderou o estudo.

Peter Breaden, de 67 anos, foi um dos 730 participantes do estudo. Descobriu que tinha cancro do pâncreas em abril de 2010 e quando lhe sugeriram que fizesse parte deste ensaio clínico não hesitou. Em entrevista, Peter disse estar muito agradecido por esta oportunidade. "Fico muito satisfeito por ter feito parte deste ensaio, que tem sido um sucesso. A investigação é absolutamente essencial e precisa de todo o nosso apoio."

Agora, os investigadores estão a insistir para que o National Health Service, o sistema nacional de saúde britânico, substitua a gencitabina pela combinação no tratamento da doença. "Quando esta combinação se tornar o novo padrão de tratamento, muitos doentes vão ter mais meses e até anos para viver", acrescentou John Neoptolemos, outro investigador.

Segundo o jornal Expresso, em Portugal, por ano, são diagnosticados cerca de 1300 casos de cancro do pâncreas. No mundo, esta é a quarta forma de cancro mais letal – corresponde a 7,9% de todos os cancros –, ficando apenas atrás do cancro do pulmão, do cancro da mama e do cancro colorretal (dados da World Cancer Research Fund International).