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Ser Galileo por um dia (e uma noite)

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Workshop no Alqueva ensina a desenhar um dos melhores céus do país: o do Alentejo. Mesmo para quem acha que "desenhar é tão difícil como ir à Lua"

Sara Sá

Sara Sá

Jornalista

O Observatório do Lago Alqueva, em Monsaraz

O Observatório do Lago Alqueva, em Monsaraz

O cenário é o ideal, o material necessário para cumprir a tarefa é simples e o objetivo não podia ser mais romântico: aprender a desenhar o céu.

No Observatório do Lago do Alqueva (OLA), em Monsaraz, com vista privilegiada para o maior lago artificial da Europa e debaixo de um dos melhores céus do mundo, pode aprender-se a ver as estrelas com outros olhos e a passar para o papel todo o deslumbramento da descoberta. Como fazia Galileo - o pai da física moderna que observou pela primeira vez os satélites de Júpiter - que desenhava as descobertas que fazia ao telescópio.

No workshop Sky Sketcher os participantes vão poder desenvolver o conceito de diário gráfico (desenhar num caderninho), olhar o que está à sua volta (durante a tarde) e o céu, depois de escurecer, e desenhar, com detalhe o que viram. O próximo está agendado para o fim-de-semana de 21 e 22 de janeiro. Nelson Nunes, astrofísico e investigador da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e um dos três sócios do OLA, garante que toda a gente consegue desenhar o céu. "Mesmo quem acha que é tão difícil como ir à Lua", lê-se na página de divulgação do evento. Crianças também são bem-vindas.

Além de promover sessões de desenho e observação, o Observatório também faz sessões sobre o céu, observação do Sol (o que exige filtros especiais para proteção dos olhos), aluga equipamento e ensina a fotografar. Ou seja, oferece tudo o que procuram os amantes do chamado turismo astronómico: viajar com o objetivo principal de observar estrelas e planetas. Ao espaço inaugurado no ano passado já chegaram turistas vindos da Nova Zelândia e da Índia, por exemplo. Procuram um local quase sem poluição luminosa - a cidade mais próxima, Évora, está a 50 quilómetros - boa estabilidade de observação - o mar está distante e a atmosfera tem pouca humidade - e claro, a boa comida e os vinhos alentejanos.

Mas o OLA não está vocacionado apenas para os fanáticos da astronomia. Os divulgadores estão preparados para falar com crianças (há sessões para escolas) e para adultos que decidem perceber que uma estrela é mais do que um bonito ponto a brilhar no céu.

Natural de Évora, Nelson tem duas paixões: a astronomia e o Alentejo. No OLA investiu todo o dinheiro - 26 mil euros- que recebeu com o prémio Breakthrough 2015, atribuído a um grupo de cientistas internacionais pelo seu trabalho no estudo da expansão acelerada do Universo. Juntou-se a dois amigos e os três acabaram por gastar 800 mil euros neste projeto de divulgação de ciência.

Uma aventura para gente corajosa. Ou apaixonada pelo que faz.