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Nutella fora dos supermercados. Mas só em Itália

Sociedade

Rob Hainer

Em causa está o potencial cancerígeno do óleo de palma refinado usado na composição do creme de avelãs mais famoso do mundo

A barrar desde 1963, o creme de avelãs italiano, batizado de Nutella vive dias sombrios, pelo menos em Itália, com a sua retirada das prateleiras dos supermercados. Em causa está o uso de óleo de palma refinado na sua composição – uma polémica que teve início, em maio do ano passado, quando a maior cadeia de supermercados em Itália, Coop, retirou o óleo de palma refinado de todos os seus produtos de marca própria por prevenção, enquanto a maior rede de padarias italiana (Barilla) também boicotou o uso de óleo de palma nos seus produtos. Nessa altura outros retalhistas deixaram de vender Nutella.

A polémica em torno do produto alimentar da Ferrero, empresa italiana de Alba, parece ter passado despercebida por cá. Estas medidas surgiram em consequência de uma opinião emitida pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, com o apoio da Organização Mundial de Saúde, que alertava que o consumo de óleos vegetais refinados, principalmente o óleo de palma, potenciam o risco de vir a ter cancro. O estudo da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos referia que os ésteres glicidílicos de ácidos gordos (contaminantes que se formam durante o processo de refinamento de óleos vegetais) são cancerígenos e genotóxicos, sendo o óleo de palma o mais perigoso de todos, quando refinado a temperaturas superiores a 200 graus Celsius. Aí é que está o busílis da questão, pois a Ferrero respondeu à Reuteurs, segundo o Independent.

“O óleo de palma usado pela Ferrero é seguro porque vem de frutas espremidas na hora e é processado a temperaturas controladas”, afirmou o porta-voz da empresa, Vincenzo Tapella. A empresa italiana garante que a produção do creme de barrar é feita com óleo de palma refinado abaixo dos 200 graus e a uma pressão muito baixa de modo a reduzir os contaminantes. O foco tem-se mantido na Nutella, porque a Ferrero, a partir do último trimestre de 2016, fez publicidade na televisão e na imprensa, numa tentativa de tranquilizar o consumidor quanto à segurança alimentar do famoso creme de avelãs e as vendas voltaram a subir cerca de cinco a seis por cento.