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Ingerir menos calorias melhora o humor, o sono e até o sexo

Sociedade

Tom Grill

Há mais vantagens numa dieta pobre em calorias do que só um corpo magro, revela um novo estudo publicado no Jama Internal Medicine

Muda o ano, mas os desejos da maior parte das pessoas repetem-se. Depois dos excessos de fritos, salgados e doces da quadra natalícia, estes primeiros dias de janeiro são sinónimo de planear uma dieta. E cortar calorias não é propriamente divertido. Mas há mais vantagens na redução de calorias do que apenas um corpo adelgaçado, segundo um novo estudo publicado no JAMA Internal Medicine. Quem reduziu a quantidade de comida ingerida nos últimos dois anos descobriu que tinha dias mais bem-dispostos e noites mais satisfatórias. A equipa de investigadores reuniu um grupo de 218 pessoas (152 mulheres, 66 homens), na sua maioria saudáveis e com peso adequado, e propôs-lhe cortarem 25 por cento das suas calorias globais durante dois anos ou manter os seus habituais padrões alimentares. A dieta funcionou: as pessoas que jejuaram perderam cerca de 10% do seu peso, o equivalente a uma média de sete quilos. Mas ao longo do estudo outras medidas foram sendo analisadas pelos investigadores, incluindo a qualidade de vida, níveis de depressão, sono e funções sexuais, usando escalas padronizadas. Segundo as novas conclusões, quem perdeu peso também ganhou dias mais bem-dispostos, melhorou a qualidade de vida, passou a dormir melhor, depois de um ano de dieta, e melhorou o desempenho sexual, no final dos dois anos de restrição alimentar.

Perder peso não tem de ser drástico, e também não é obrigatório ser obeso para colher os dividendos de emagrecer. “O que as pessoas relataram é que passado o período mais difícil e depois de começar a perder peso, os níveis de fome diminuem um pouco e começam a sentir os benefícios da perda de peso”, disse Corby Martin do Pennington Biomedical Research Center no Louisiana, Estados Unidos, autor do estudo, à revista Time. “Sentem mais facilidade em movimentar-se, menos dores nas articulações e sentem-se melhor”, acrescenta. Mas Corby Martin também avisa de que não é pera doce cortar nas calorias durante dois anos. “Mesmo para os que conseguiram alcançar os resultados, foi realmente muito difícil aderir a esta dieta a longo prazo, pelo menos na sociedade atual. São como peixes a tentarem nadar rio acima, num mundo onde é muito fácil consumir calorias a mais”. A equipa de investigadores continuou a acompanhar as pessoas para perceber se tinham continuado a dieta mesmo depois de o estudo ter terminado. Enquanto alguns ganharam, novamente, mais peso, outras continuaram a seguir as dicas de Corby Martin. Em breve, será apresentada uma nova análise formal.