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Pode um coração partido matar mesmo?

Sociedade

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A questão surge sempre quando um cônjuge morre pouco depois do outro e voltou a colocar-se esta semana, de uma forma mais global, quando a atriz Debbie Reynolds morreu um dia depois da filha, a atriz Carrie Fisher

A resposta é: Pode. A "síndrome do coração partido", ou cardiomiopatia induzida por stress, é real e ocorre na sequência de um acontecimento extremamente stressante, podendo afetar indivíduos perfeitamente saudáveis.

Pode ser desencadeada pela morte de um ente querido, um divórcio, a notícia de uma traição ou até mesmo, explica a Associação Americana do Coração, por um choque bom, como ganhar a lotaria.

A culpa é das hormonas do stress que são libertadas numa enorme quantidade em momentos assim e bombardeam o coração. Os sintomas incluem dor intensa no peito, falta de ar e alterações dramáticas na tensão artterial.

As mulheres são as vítimas mais frequentes - 90% dos casos, assim como as pessoas com problemas neurológicos e historial de doenças mentais.

Apesar desta associação a momentos de grande stress, a causa exata desta síndrome continua por esclarecer, de acordo com o cardiologista e professor na Universidade da Carolina do Norte Kevin Campbell, em declarações à CNN. "É algo realmente interessante que não compreendemos totalmente", admitiu, explicando que um coração nestas condições assume uma forma dilatada, conforme é possível ver durante uma cirurgia, como se fosse um balão. Esta forma valeu-lhe o nome original de "síndrome de Takotsubo", atribuído por um investigação japonês pela semelhança com o isco usado para apanhar polvos no Japão.

Apesar da semelhança aparente com o um ataque cardíaco, as vítimas desta cardiomiopatia não têm bloqueios nas artérias e a recuperação faz-se, na maioria dos casos, espontânea e total ao longo dos dias ou semanas seguintes.