Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

A gravidez muda mesmo o cérebro da mãe

Sociedade

© Alex Lee / Reuters

Estudo prova, pela primeira vez, que as mudanças provocadas pela gravidez se estendem ao cérebro

Durante os nove meses de gravidez, o corpo feminino é bombardeado por um conjunto de alterações hormonais e mudanças biológicas – desde as mais visíveis, como o crescimento da barriga, até àquelas que não se conseguem observar a olho nu.

Dizem que ser mãe muda tudo. Bem, tudo tudo pode não mudar, mas um novo estudo veio provar que existem alterações a nível cerebral. Segundo a publicação na revista Nature Neuroscience, a gravidez provoca uma redução de volume de massa cinzenta na região referente à cognição social.

Essa diminuição de volume provoca a otimização de algumas funções, tais como a interpretação do estado mental da criança e a antecipação de potenciais ameaças no ambiente. A área do cérebro em questão está relacionada com a habilidade humana de nos colocarmos no lugar do outro, de antecipar as suas intenções e de ler a mente do outro. Resumindo, capacidades relacionadas com a empatia.

Será esta perda de massa cerebral benéfica? De acordo com Paul Thompson, um neurocientista da Universidade do Sul da Califórnia, a resposta mais intuitiva seria que não e que essa perda poderia ser prejudicial no futuro. No entanto, ela pode ser simplesmente um reflexo do stress, privação de sono e da dieta mantida durante a gravidez.

Existe ainda outra possibilidade, que é sugerida pelos resultados obtidos. As alterações também poderão estar relacionada com a adaptação ao papel de mãe. O cérebro tenta preparar-se para as alterações que vêm no futuro e tornar-se mais eficiente.

O facto de existir perda de massa cinzenta não significa que a gravidez provoca uma perda cerebral. Os autores do estudo salientam que a redução não é, necessariamente, negativa. Pode ser, simplesmente, um processo que de maturação e especialização benéfico para a mãe.

Os investigadores conseguiram chegar a estas conclusões através da observação de ressonâncias magnéticas feitas a 25 mulheres antes de ficarem grávidas e depois de terem o bebé. Posteriormente, estas ressonâncias foram comparadas a outras de mulheres e homens que não tinham tido filhos. O estudo verificou que as características alteradas se mantêm dois anos depois do nascimento da criança e que não se evidenciam nos pais.