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Canibalismo numa prisão amotinada da Venezuela

Sociedade

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© Carlos Garcia Rawlins / Reute

Pai denuncia que mataram e comeram o seu filho durante um motim que durou um mês. Assassino em série, conhecido como Hannibal Lecter dos Andes, terá estado envolvido

Rui Antunes

Rui Antunes

Jornalista

É uma história de arrepiar. Juan Carlos Herrera ficou destroçado quando se deslocou à prisão de Táchira, na Venezuela, para visitar o seu filho, de 25 anos, condenado em 2015 por roubo. Juan Carlos Herrera Jr. era um dos dois detidos dados como desaparecidos, na sequência de um motim que durou mais de um mês, e o pai soube do que lhe aconteceu por outros prisioneiros.

"O meu filho foi apunhalado, enforcado enquanto sangrava e depois Dorángel trucidou-o para alimentar todos os detidos", denunciou Juan Carlos Herrero, em conferência de imprensa.

José Dorángel Vargas é um conhecido assassino em série na Venezuela. Preso em 1999 depois de matar dezenas de pessoas, ganhou as alcunhas de "come gente" e "Hannibal Lecter dos Andes", por comer as suas vítimas. Foi diagnosticado com Esquizofrenia Paranóide e está a cumprir pena na prisão de Táchira, junto à fronteira com a Colômbia.

Os prisioneiros estiveram amotinados desde o dia 8 de setembro e só na semana passada as autoridades retomaram o controlo do estabelecimento prisional, onde vivem 350 condenados apesar de só ter capacidade para 120. O Governo da Venezuela recusa a tese de canibalismo, mas o pai de Juan Carlos Herrera Jr. está convencido do que lhe contaram.

Segundo Juan Carlos Herrera, um dos prisioneiros disse-lhe que tinha sido obrigado por outros a comer a carne humana. "Mas a maior dor que tenho é que não vou ter nada para lhe fazer um funeral. Peço que me entreguem um osso para que possa realizar uma cerimónia cristã", afirmou, em lágrimas, aos jornalistas (vídeo em baixo).