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O maravilhoso mundo da visão

Sociedade

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© Susana Vera / Reuters

Hoje é Dia Mundial da Visão: saiba mais sobre as cores dos olhos, o mistério do choro e o daltonismo. E deixe-se levar pelas ilusões de ótica

A alimentação e os hábitos de vida influenciam a nossa visão. As vitaminas A, C e E são, por exemplo, as principais promotoras de uma boa saúde ocular, o que significa que nem só de cenouras se fazem as boas opções para os olhos. Para assinalar o Dia Mundial da Visão, deixamos-lhe o convite para entrar num mundo maravilhoso.

Como vemos

A luz daquilo que observa agora enquanto lê este artigo chega-lhe pela córnea e através do cristalino - a lente do nosso olho. A imagem chega invertida à retina e é o nervo ótico que a "transporta" até ao cérebro, onde é depois interpretada no córtex visual, situado junto à nuca.

A capacidade visual

A distância máxima a que vemos depende, naturalmente, do tamanho do objeto. Um bom exemplo é o Sol, localizado a cerca de 150.000.000 km da Terra.

O ser humano consegue ver a cerca de 180 metros, muito menos do que os 1500 metros do falcão e bastante mais do que os 60 metros de um cão. O nosso espectro de cores é bem amplo: conseguimos distinguir cerca de 10 milhões de cores, o que é impossível para boa parte dos bichos.

A resolução máxima da nossa visão é de cerca de 576 megapixéis, o que nos pode fazer questionar a utilidade dos 4K e 8K que a indústria televisiva nos anda a vender.

As três dimensões

Percebemos o mundo numa visão tridimensional porque temos dois olhos afastados. As imagens percecionadas são ligeiramente diferentes em ambos os olhos e, uma vez sobrepostas no cérebro, criam a noção de profundidade, relevos e distância aos objetos.

A cor dos olhos

Suspeita-se que no início da humanidade todos tinham olhos castanhos e que só mais tarde, com as mutações genéticas típicas da evolução, surgiram outras cores.

A cor dos olhos é definida enquanto somos bebés e há mais de 15 genes envolvidos nesse processo. As estatísticas revelam que apenas 2% da população mundial tem olhos verdes. Também existem em violeta e cor-de-rosa ou avermelhados, embora muito raros. Estão normalmente associados a casos de albinismo extremo.

Já a Heterocromia é uma anomalia genética que faz com que uma pessoa tenha retinas de cores diferentes. E não é assim tão raro.

O choro

É produzido nas glândulas lacrimais e tem várias origens.

Há as lágrimas lubrificantes, em resultado de um processo fisiológico, que servem para humedecer, nutrir e limpar a córnea. Há as reflexivas, como as que nos escorrem ao cortar uma cebola. E as emocionais, que constituem um grande enigma da natureza humana por não terem qualquer função. Uma possibilidade é o choro ser um código criado pelos humanos antes da linguagem como forma de comunicar dor e sofrimento, da mesma maneira que usamos diferentes expressões faciais para responder a estímulos como surpresa, felicidade ou repulsa.

Cegueira e audição

A cada cinco segundos uma pessoa fica cega no mundo e uma elevada percentagem (80%) da cegueira resulta de causas previsíveis ou tratáveis.

Há cerca de 40 milhões de pessoas cegas e outras 285 milhões sofrem de deficiência visual moderada ou grave.

Segundo um estudo da Universidade de McGill, no Canadá, as pessoas que nascem cegas têm o sentido da audição mais apurado do que as que ficam cegas em criança. E as que perderam a vista em criança ouvem melhor do que aquelas que cegaram após os dez anos. Já estas não apresentaram resultados auditivos significativamente melhores do que as pessoas que veem normalmente.

O daltonismo

O daltonismo, ou dificuldade na perceção de algumas cores, tem geralmente uma origem genética, mas pode também resultar de uma lesão visual ou neurológica.

Está associado a um problema genético do cromossoma X e é, por isso, mais frequente nos homens (para uma mulher ser daltónica terá que ter essa anomalia em ambos os seus cromossomas X).

Na Segunda Guerra Mundial foi dada preferência aos soldados daltónicos por terem mais facilidade em identificar camuflagens nas matas. Mais tarde, em Portugal, qualquer daltónico ficava automaticamente dispensado do serviço militar obrigatório só por não saber distinguir as cores.

Olhar nos olhos ajuda a criar relações mais fortes

É a principal conclusão de um estudo feito por um psicólogo da Universidade de Massachusetts, em que 72 pares de pessoas se olharam por 2 minutos e reportaram ligações muito positivas em relação ao outro.

Por que ficamos com os olhos vermelhos nas fotografias?

Embora, por fora, o olho seja como o percecionamos, internamente ele é irrigado por muitos vasos sanguíneos e tem uma cor que varia entre o vermelho e o laranja. O que acontece quando uma luz intensa, como o flash, entra no olho é que a cor vermelha é preferencialmente refletida.

Ilusões de ótica

Explicam-se porque o nosso sistema visual é muito limitado para processar com precisão todas as informações que nossos olhos absorvem. O que o cérebro faz é interpretar com base naquilo que é mais provável. Se quase nunca se engana, a verdade é que por vezes se deixa ludibriar. Aos momentos raros em que o cérebro faz uma interpretação errada chama-se ilusão de ótica.

Uma das ilusões mais famosas - e polémicas - nas redes sociais é a do vestido branco e dourado que também é preto e azul. Há quem o veja de ambas as maneiras e quem só consiga ver uma delas. Qual é o seu caso?

A imagem seguinte cria outro tipo de ilusão. Fixe o olhar no centro (sinal de +) e em segundos as manchas rosa começam a desaparecer do seu campo visual.

Nesta, não há dúvidas: as linhas estão todas tortas. Mas nem tudo o que parece é. Por incrível que pareça, as linhas estão, na verdade, todas direitas.

Só mais uma. O círculo central à esquerda parece-lhe maior do que o da direita? Pura ilusão: são do mesmo tamanho!

Em dia de anúncio de Prémio Nobel da Literatura, fechamos com uma citação da epígrafe de Ensaio sobre a Cegueira, um dos romances mais populares de José Saramago: "Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara."