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Escolas britânicas contestadas por quererem saber a nacionalidade dos alunos

Sociedade

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© Reuters Staff / Reuters

O Governo do Reino Unido pediu aos alunos que colocassem a sua nacionalidade e país de origem nos censos escolares deste ano. Esta medida está a gerar polémica, num ambiente pós-Brexit. Já existe um movimento que pretende boicotar a medida

Ana Cristina Oliveira é uma portuguesa que vive em Londres há dois anos. A sua filha está, neste momento, no 11º ano. Ana não vê qualquer problema em referir, nos censos escolares, que a sua filha é portuguesa. Aliás, considera que esta multiculturalidade é um aspeto positivo e que "é bom ver que há várias crianças, de muitos países, a estudar juntas e a formar grandes amizades".

O país de origem e a nacionalidade dos alunos são informações que passaram a fazer parte do censo escolar, um inquérito que se realiza, anualmente, em Inglaterra. Mas, ao contrátrio de Ana, nem toda a gente encara esta medida com bons olhos.

Pais, escolas, professores e, inclusivamente, grupos de direitos humanos estão preocupados com a forma como estes dados possam ser utilizados pelo Home Office - o departamento ministerial que trata de assuntos relacionados com a imigração.

O objetivo deste tipo de censos é recolher alguns dados sobre os alunos, como por exemplo a idade e a morada, para posteriormente serem tratados estatisticamente. O departamento de educação do governo britânico assegurou que estas informações não vão ser entregues ao departamento de imigração, mas não é bem isso que tem acontecido nos últimos anos.

Desde 2012, o departamento de imigração solicitou 20 vezes a consulta da base de dados nacional sobre os alunos. Em 18 delas, o pedido foi autorizado. No caso da Polícia, todos os 31 requerimentos que fizeram foram aceites.

#BoycottSchoolCensus é o hashtag da campanha "Contra Fronteiras para Crianças" que quer convencer os pais a boicotar os censos deste ano. "Num ambiente pós-Brexit, as crianças já estão em situação precária. Já sentem que não é bom serem crianças migrantes e isto ainda as divide mais", disse ao The Guardian uma promotora do movimento.

"Com o enorme aumento do crime de ódio racista, desde a votação do Brexit, tememos pela segurança das crianças em idade escolar em todo o país", dizem no site oficial da campanha. Alertam ainda que, se a informação for recolhida, poderá ficar disponível a jornalistas, investigadores, departamentos do governo e outras organizações.

Legalmente, os pais não são obrigados a dar informações acerca da nacionalidade e local de nascimento dos seus filhos. Ainda assim, a escola pode facultar outro tipo de informações ao Governo.

Em sua defesa, o departamento de educação esclareceu: "Esta informação será usada para nos ajudar a entender melhor como as crianças que têm, por exemplo, o inglês enquanto língua adicional, se comportam em termos educativos e para avaliar e monitorizar a escala e o impacto que a imigração pode estar a ter no setor escolar."

Depois do referendo de 23 de junho que deu a vitória ao Brexit, algumas medidas deste género têm preocupado os europeus residentes no Reino Unido. Na semana passada, o Governo de Theresa May anunciou que vão restringir a contratação de trabalhadores estrangeiros pelas empresas britânicas.

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