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Demência faz disparar perícias psiquiátricas

Sociedade

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António Xavier - Arquivo VISÃO

O Instituto de Medicina Legal não tem mãos a medir para responder aos pedidos de perícias psiquiátricas e abriu concurso para contratar mais 20 especialistas

Isabel Nery

Isabel Nery

Jornalista

Em 2015, o Instituto de Medicina Legal fez 288 perícias psiquiátricas na zona de Lisboa, 537 no centro e 1829 no Porto. A disparidade deve-se, como explicou à VISÃO o presidente do Instituto, à falta de médicos para fazer estes relatórios no centro e sul do País. No centro, há apenas um especialista com esta responsabilidade. “Lisboa é a zona do país onde as perícias estão mais atrasadas. São necessários mais de 40 dias para as completar”, admite o presidente, Francisco Brízida.

Para dar resposta ao problema já sentido nos últimos 5 anos, o Instituto abriu agora 20 vagas com o objetivo de contratar mais delegados. E, com isso, tentar responder ao aumento do número de pedidos. “As interdições e as inabilitações são o que justifica a maioria das solicitações de perícias psiquiátricas. Isso está relacionado com o aumento da esperança de vida e o envelhecimento da população”, explica Francisco Brízida.

A gestão do dinheiro dos idosos, por vezes para atos tão simples como o pagamento do lar, é um problema que se põe a cada vez mais famílias portuguesas. Poucas sabem que essa dificuldade nasce de um problema comum: “A capacidade de lidar com dinheiro é a primeira que se perde quando há demências. Isto acontece quando as pessoas ainda não estão manifestamente dementes. Podem continuar a fazer a sua vida normal e confrontar-se com a incapacidade para gerir os bens mesmo antes de um diagnóstico. Há uma perda da noção do valor do dinheiro”, explicou à VISÃO o presidente da Associação Portuguesa de Geriatria e Gerontologia, Manuel Carrageta.

Para evitar que o problema se torne incontrolável, o cardiologista aconselha um diagnóstico precoce. Até porque os testes de avaliação são eficazes e já existem medicamentos que podem retardar o avanço de doenças como o Alzheimer – responsável por 50 por cento das demências.

O défice cognitivo nos mais velhos pode ser de moderado a grave. Não se sabe exatamente a população que atinge, mas constatou-se que, nos lares, 30 a 50% dos utentes tem problemas avançados de défice cognitivo.

Com um salto de 30 anos na esperança média de vida em Portugal no século XX, o problema tenderá a crescer e a agravar-se.