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Basta uma cerveja para vermos o mundo mais alegre

Sociedade

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© Michaela Rehle / Reuters

Estudo do Hospital Universitário de Basileia confirma o que muitos consumidores já sabiam ou desconfiavam, por experiência própria. O álcool torna mais fácil identificar caras felizes à nossa volta e desperta uma vontade maior de socializar em contextos divertidos, sobretudo nas mulheres e nas pessoas mais inibidas por natureza

Rui Antunes

Rui Antunes

Jornalista

Todos ou quase todos os consumidores de álcool o sabem - ou pelo menos desconfiam -, mas a ciência ainda não tinha dado o seu parecer. Até agora. Um estudo conduzido pelo Hospital Universitário de Basileia, na Suíça, concluiu que beber uma cerveja ajuda a identificar caras felizes mais depressa, aumenta a tendência para querer estar com outras pessoas num contexto social alegre e torna mais fácil visualizar imagens de teor sexual - embora sem influenciar o desejo. Estes efeitos são mais evidentes nas mulheres do que nos homens e também se notam mais nas pessoas que são, por natureza, mais inibidas.

"Apesar de muita gente beber cerveja e conhecer os seus efeitos por experiência própria, surpreendentemente há poucos dados científicos sobre os seus efeitos no processamento de informação social e emocional", constatou o professor Matthias Liechti, que apresentou as suas conclusões no congresso anual do Colégio Europeu da Neuropsicofarmacologia, a decorrer em Viena.

Por não haver muita informação disponível, Liechti e a sua equipa puseram-se em campo para identificar as consequências do consumo de cerveja nos comportamentos sociais. "Descobrimos que beber um copo de cerveja ajuda as pessoas a reconheceram caras felizes mais depressa e reforça o interesse em viver situações positivas do ponto de vista emocional", afirmou, citado pelo site noticioso Neuroscience News, acrescentando que "o álcool também facilita a visualização de imagens sexuais, o que é consistente com a desinibição, mas não desperta a excitação sexual".

Para o estudo, os investigadores recorreram a 30 homens e 30 mulheres, com idades entre os 18 e os 50. Metade das 'cobaias' bebeu uma cerveja com álcool e a outra metade ingeriu a versão sem álcool, antes de serem submetidos a vários testes de reconhecimento facial, empatia e excitação sexual. As conclusões servem agora de prova científica às ideias construídas através de experiências pessoais, que se juntam a outros benefícios da cerveja que os cientistas já tinham identificado.