Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

A modelo do Instagram que desafia os limites da realidade

Sociedade

  • 333

Será photoshop levado ao extremo? Um projeto de arte ou de crítica social? Ou apenas uma personagem 100% gerada por computador? A dúvida alimenta a conta de Lil Miquela e traz-lhe mais uns seguidores todos os dias

Rosa Ruela

Rosa Ruela

Jornalista

Reprodução Instagram

Reprodução Instagram

O que aqui atrai é a dúvida porque basta ver uma fotografia de Lil Miquela para ser imediatamente óbvio que foi trabalhada. O que não fica claro é até que ponto, de que forma e, já agora, por que razão alguém decidiu fazê-lo. Tudo perguntas que, até agora, têm ficado sem resposta porque a modelo – ou a sua/seu criador/a – se mantém muda e queda.

Ou apenas calada, uma vez que Miquela pouco para no mesmo sítio. Desde abril que se desdobra em selfies, produções de moda, saídas à noite com amigos e sítios muito cool de Los Angeles. Em apenas três meses, tornou-se Insta-famosa: ganhou cerca de 35 mil seguidores no Instagram, número que duplicou no mês seguinte. Hoje, está nos 85 mil e continua a juntar fãs.

Os seus seguidores dividem-se entre os que acreditam tratar-se de um projeto de arte ou de crítica social, de uma experiência de um designer gráfico que se diverte a levar o photoshop aos limites ou de uma criatura 100% gerada por computador. Ou ainda de uma combinação de um modelo em 3D e fotografias uma pessoa verdadeira.

Essa última hipótese é a aposta de Dougie Cross, dono do estúdio de animação TIGERX, sediado na Cornualha, em Inglaterra. “Ela é muito realista, e penso que aquilo que atrai as pessoas é o facto de os pormenores serem tão bons”, disse ao Independent. “Mas o cabelo, por exemplo, é gerado por computador porque as raízes não são reais.”

Gerada ou não 100% por computador, Miquela pôs o mundo do Instagram a debater a essência desta rede social: como é que uma personagem como ela tem tantos seguidores quando o Instagram nasceu com o objetivo de facilitar a partilha de fotografias (e desde há um ano também de vídeos) da vida real. Imagens muitas vezes com filtros, sim, mas reais ainda assim.

Aquilo que mais baralha os seus fãs é o facto de Miquela também publicar imagens e fazer comentários que lhe dão consistência como pessoa. Ou ter assinado uma petição contra a construção de um acesso a um oleoduto, no Dakota, que põe em risco uma reserva de índios Sioux. Pode ser uma cyborg, meus senhores, mas já agora é uma cyborg ativista.