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Férias alteram genes e reforçam sistema imunitário

Sociedade

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As férias fazem bem à saúde

Charles Platiau / Reuters

Toda a gente sabe o bem que nos faz as férias. Uma investigação recente mostra que o efeito se vê nos genes, após seis dias de descanso

Sara Sá

Sara Sá

Jornalista

Ninguém duvida dos benefícios das férias. Fazem bem à cabeça, ao humor e até à auto-estima. Numa investigação recente, concluiu-se que também reforçam o nosso sistema de defesa, mantendo-se o efeito mesmo quando o bronzeado já se foi.

Níveis mais baixos de stress e reforço do sistema imunitário são as principais melhorias detetadas pelos investigadores das universidades americanas Ichan School of Medicine, da Califórnia e de Harvard, num estudo rigoroso que envolveu 94 mulheres, voluntárias saudáveis, entre os 30 e os 60 anos.

Durante seis dias, as voluntárias estiveram num resort, longe da confusão e do barulho. A equipa de investigação analisou as alterações em 20 mil dos seus genes para determinar que tipo de genes estava a mudar, antes e depois da experiência. Todas as voluntárias mostraram alterações moleculares significativas, após uma semana de paz e tranquilidade, sendo mais notórias as alterações relacionadas com a resposta ao stress e a função imunitária.

"É intuitivo que tirar férias reduz os processos biológicos relacionados com o stress, mas de qualquer modo foi impressionante perceber as grandes alterações na expressão dos genes, por se estar afastado do ritmo de vida acelerado, estando num ambiente tranquilo, por um período de tempo tão curto", observou Elissa S. Epel, PhD, Professora de Psiquiatria na Universidade da Califórnia, autora principal do estudo.

Os resultados positivos prolongaram-se até trinta dias após as férias e foram ainda mais expressivos no grupo de mulheres que além das típicas atividades de resort, como ficar estendida na espreguiçadeira, praticou meditação durante aquela semana - em aulas orientadas pelo mais famoso guru new age, Depak Chopra.

"Com base nos nossos resultados, o benefício que retiramos da meditação não é apenas psicológico. Há um claro efeito positivo, quantificável na nossa função corporal", reforçou Rudolph Tanzi, professor de neurologia na Universidade de Harvard. O que vem ao encontro de estudos feitos anteriormente e que concluíram pelo benefício da meditação, nomeadamente na longevidade.

Apesar do entusiasmo, Elissa Epel reforça a necessidade de se repetir o estudo, para verificar a fiabilidade dos resultados, comparando-os com um grupo que fique em casa, por exemplo.