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É científico: Toca a mexer porque a andar pensamos melhor

Sociedade

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Patrícia de Melo Moreira / GettyImages

Andar faz bem ao corpo, mas também à alma. Ou pelo menos, ajuda-nos a pensar melhor, de acordo com um estudo da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Posto isto, o que ainda está a fazer sentado?

Pôr um pé à frente do outro. Seguir em frente. Um movimento tão simples quanto intuitivo, que nos deixa os sentidos livres para... pensar. Além de todos os benefícios já conhecidos, ao nível cardiovascular, de uma caminhada, também existem algumas provas de que quem caminha terá a mente mais solta e a criatividade ao rubro.

Será por isso aconselhável que se larguem de vez os hábitos sedentários e se saia para a rua. Qual rua? Isso depende da nossa condição: as cidades podem ser extremamente estimulantes, mas se esse for o nosso meio natural, é preferível procurar o bucólico das zonas verdes, para descomprimir de tanto estimulo.

Nada disto parece novo, visto que já os filósofos gregos associavam os prazeres de uma boa caminhada ao pensamento e à escrita. Mas agora sabe-se que, de facto, andar mexe com a nossa química. Quando vamos dar uma volta, o coração apressa-se a bombear, fazendo circular mais sangue e mais oxigénio para todos os orgãos (incluíndo o cérebro, claro). Sempre que caminhamos, com regularidade, há novas conexões entre as células cerebrais e evita-se a perda normal de tecido cerebral, aumenta-se o volume do hipocampo (zona crucial para a memória) e os níveis de moléculas que estimulam o crescimento de novos neurónios. Além disso, consegue estabelecer-se uma relação direta entre o ritmo da caminhada e a intensidade da atividade cerebral. Mais depressa, ideias em catadupa. Assim que se desacelera o passo, pensamentos mais organizados.

Os investigadores Marily Oppezzo e Daniel Schwartz, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, publicaram o primeiro conjunto de estudos que relaciona a forma como andamos com os níveis de criatividade. Em várias experiências, pediram a 175 estudantes para preencherem uma série de testes enquanto estavam sentados, a andar na passadeira ou a passear pelo campus da universidade. Um dos desafios, por exemplo, era dar um uso atípico a um objeto do dia-a-dia. Em média, os estudantes que se mexeram, pensaram em mais quatro ou seis usos do que os restantes. É claro que as respostas que pediam concentração e objetividade eram dadas com maior correção por quem se manteve sentado.