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Paula Rego e Rafael Bordalo: descubra as diferenças

Sociedade

Mais de um século os separa, e no entanto, a pintora sempre referiu a inspiração e similitudes que os desenhos de Rafael evocavam na sua obra

Rafael Bordalo Pinheiro faz capa da revista VISÃO hoje nas bancas

Rafael Bordalo Pinheiro faz capa da revista VISÃO hoje nas bancas

Podem parecer uma dupla improvável, mas muita coisa une Paula Rego e Rafael Bordalo Pinheiro, o caricaturista, pintor e ceramista genial que faz capa desta edição da revista VISÃO, hoje nas bancas. Na foto acima pode ver-se Hey Diddle Diddle, de 1989, de Paula Rego (à esquerda) e a ilustração Meus Senhores, 1883, de Bordalo. Não apenas a postura bípede do gato são extremamente semelhantes, mas também também a composição fantasista em seu redor

Paula Rego sempre mencionou Rafael Bordalo Pinheiro como uma referência. Conhecia bem os seus desenhos de ver os jornais em casa dos avós. E a caricatura, o grotesco, os bichos transfigurados de humanos (ou vice-versa), os temas de atualidade, a crítica social, subversiva e provocatória, impregnadas de um humor sarcástico, sempre tão presentes na sua obra, sugerem afinidades. Ou mesmo confluências óbvias, como no quadro em que convoca o magnífico peru preto de cerâmica, quase como uma sentinela (que zela ou ameaça) a mulher que descansa na cama (Primeira Missa no Brasil, 1993).

Mas é na hibridez das figuras (meio humanos, meio animais), e dos ambientes (meio realidade, meio sonho), na presença dos animais domésticos – em especial o gato, claro –, na leitura narrativa que se faz das suas obras, que se descobrem estas ressonâncias e este diálogo improvável.

Ambos denunciam o amor pelas artes de palco – no caso de Paula Rego, mais o bailado, e, no de Bordalo, mais o teatro. O historiador de arte Pedro Bebiano Braga salienta “a escala das personagens e dos objetos, que obedece a uma lógica emotiva ou reativa, por um lado, de brincadeira geradora de riso, por outro”. E acrescenta: “Se existe a sugestão de humor irónico nestas obras [de Paula Rego], não tenhamos ilusões, por detrás de uma primeira abordagem está um mundo de enigmática violência, tal como por detrás do humor de Rafael Bordalo está, muitas vezes, uma profunda tristeza.” A exposição Diálogos Imaginados pode ser vista até 29 de setembro no Museu Bordalo Pinheiro.

Leia o perfil completo sobre a vida e obra de Rafael Bordalo Pinheiro na edição impressa da revista VISÃO, hoje nas bancas