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Como a PSP virou cool nas redes sociais

Sociedade

Hugo Palma, responsável pela gestão das redes sociais da PSP, assume que a polícia não quer ser uma farda cinzenta e sem rosto e tem de falar a linguagem da comunidade. O post no Facebook com o comunicado sobre os cuidados a ter com o jogo Pokémon Go foi só o mais recente momento alto daquela que é a página governamental com mais seguidores no país

A loucura em volta do jogo Pokémon Go tomou conta do mundo na semana passada e claro que também chegou à Penha de França, onde está a direção nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP) - quem poderia ficar indiferente, depois das imagens da multidão em Nova Iorque a correr para o Central Park, noite dentro, à procura de bichos virtuais? "Até que nos chegou a imagem de um Pokémon a ser caçado ao lado de um dos nossos carros. Dali até ao post na nossa página de Facebook foi um passo...".

Quem fala assim é Hugo Palma, 42 anos, o diretor do gabinete de comunicação da PSP e que também tem a seu cargo a gestão das páginas oficiais da polícia nas redes sociais: You Tube, Twitter mas sobretudo Facebook. "Hoje, é claramente uma porta de entrada para a instituição."

Ao longo do fim de semana passado, com chegada de informação de acidentes e incidentes por causa do jogo, não demorou nada a concluir que era preciso ir mais além. "Foi quando resolvemos por cá fora os conselhos de segurança, porque os riscos são elevados – vimos no estrangeiro gente a querer entrar em casa de outras pessoas, a cai em lagos, acidentes de pessoas a jogar ao volante...Outra preocupação eram as crianças, porque é um jogo que torna fácil atrair os mais pequenos. E como somos uma polícia que gosta de apostar na prevenção, foi a melhor forma para chegar à comunidade..."

Essa é a matriz de toda esta conversa. Estamos na direção nacional da Policia de Segurança Pública e é aqui que Hugo Palma, o intendente responsável por esta área da polícia, nos explica como o Facebook se tornou uma ferramenta muito importante para chegar às pessoas. A página existe desde 2011 mas a abertura para esta presença mais regular e criativa na rede social que mais mexe em Portugal chegou, de cima, no ano passado.

"Temos a preocupação de dizer bom dia às pessoas, de dizer boa noite, de acompanhar o que se está a passar", continua, insistindo que não segue qualquer métrica de posts diários. "Queremos chegar à comunidade, mostrar que a policia está no país inteiro. Podemos fazer brincadeiras mas como somos uma instituição policial tem de ser com algum bom senso", a recordar como aproveitaram a estreia da última saga do Star Wars para se colarem à imagem do R2D2, o simpático robô amigo de Luke Skywlaker com a descrição "É leal, está sempre disponível e...é azul".

Tudo sempre muito temperado por calma e ponderação, não vá alguma brincadeira ir longe de mais ou ser mal interpretada. "Pode passar uma mensagem negativa e não queremos", sublinha Hugo Palma, a lembrar a história em volta do microfone que Cristiano Ronaldo atirou à água. "Em termos muito formais, aquilo é um crime", explica, "ele danificou um equipamento de outra pessoa. Mas quando vemos que a própria televisão em causa cavalgou o tema, que o próprio Ronaldo brincou, pouco depois, quando passou por um grupo de jornalista, ao dizer-lhes 'tenham cuidado com os microfones", então percebemos que podemos postar a foto a dizer que já foi recuperado."

Mas também há posts sérios com milhares de partilhas, como foi por exemplo sobre a carta por pontos. "E isso é prevenção pura, já não é brincadeira."

A página da PSP no Facebook serve também para as coisas menos boas. Quando morre alguém que é uma figura pública, por exemplo. "Consideramos que é importante prestar homenagem a deixou marca na sociedade. Estou a lembrar-me do Nicolau Breyner. No dia em que ele morreu, servimo-nos de uma imagem de uma rábula em que ele aparecia vestido de polícia e essa foi a nossa forma de demonstrar esse carinho: Um dia o Nicolau também foi polícia..."

As mensagens são outra das mais valias que o Face tem para a polícia, como reconhece Hugo Palma. Só tentam não interferir muito nos comentários - "Só ocultamos quando são ofensivos", assume - e é exatamente por aí que lhes chegam muitas reclamações e denúncias, e aí é preciso encaminhar a pessoa para a formalização da queixa. "A verdade é que se tornou um instrumento de comunicação por excelência, uma espécie de balcão de atendimento permanente" - e isso viu-se com a quantidade de denúncias a maus-tratos a animais que lhes chegaram quando lançaram a campanha nacional.

Neste momento, a página tem mais de 400 mil seguidores, alcançar o meio milhão é o objetivo até ao final do ano. "Somos a página governamental com mais seguidores", assume, orgulhoso, "o que faz com que tenhamos de a gerir com todos os cuidados", a fazer lembrar o lema popularizado pelo Homem-aranha: 'Com um grande poder, vem uma grande responsabilidade."