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Professor de Harvard deu “aula” na VISÃO (com video)

Sociedade

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Gonçalo Rosa da Silva

A VISÃO abriu as portas da redação a Michael Puett, um professor norte-americano que veio a Portugal apresentar o seu livro. O resultado da sua palestra foi de uma simplicidade surpreendente. Nem erudição artificial, nem banha da cobra. Ou não fosse ele dos mais populares de Harvard. VEJA OS VÍDEOS

De passagem por Lisboa, onde veio apresentar o seu livro O Caminho da Vida (Lua de Papel), o filósofo norte-americano Michael Puett fez, esta segunda-feira, uma visita à redação da VISÃO, onde deu uma palestra, transmitida em direto na pagina da revista no Facebook (e que pode ver no final desta página).

No livro, escrito “a quatro mãos” com a historiadora e jornalista Christine Gross-Loh, Puett, um dos mais populares professores da Universidade de Harvard, partilha as suas lições do curso de Filosofia Chinesa, por ele ministrado.

Puett está convencido de que, dois milénios depois de as teorias que ensina terem sido concebidas por uma sucessão de filósofos, iniciada em Lao Tsé (séc. V a.C.) e que passa por Confúcio (551 a.C. - 479 a.C) e Mêncio (372 – 289 a.C), ainda podem influenciar a nossa vida quotidiana. Mais: podem mesmo mudá-la.

Na visita à redação o filósofo e a jornalista deixaram respostas inquietantes que em certa medida contradizem quase tudo o que nos foi ensinado sobre o nosso “eu” e o mundo que nos rodeia. E, que na verdade, desmontam o racionalismo de influência cartesiana em que fomos educados. Com base nos ensinamentos dos clássicos chineses, podemos, defendem os autores, mudar para melhor – individual e coletivamente.

Não se pense que nos trouxeram teorias complicadas, repletas de axiomas, aforismos impenetráveis ou de verdades absolutas. Muito menos que, dada a simplicidade extrema e puro bom senso do que aqui disse Michael Puett, nos vieram impingir banha da cobra travestida em auto-ajuda. O patamar é outro.

Segundo os autores, tornarmo-nos pessoas melhores e melhoramos a sociedade em que vivemos não depende dos planos de vida que fazemos, mas da maneira como reagimos a cada situação concreta em cada momento concreto. A transformação, afirmam, nada tem a ver com a procura do nosso verdadeiro “eu”, mas com a nossa capacidade de romper com estereotipos incrustados e com as rotinas, através de pequenos gestos – como o de abrir a redação à palestra de um filósofo.