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Cacela Velha/Fábrica - A rainha do Sotavento

Praias

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José Caria

Quando a ria Formosa parece um imenso espelho de água, protegido do oceano por uma fina tira de areia dourada

Está maré baixa. Por isso, hoje, a travessia da ria faz-se a pé, afugentando com os passos os pequenos caranguejos que saem à superfície, em busca de alimento. Quando a maré está cheia, o acesso só é possível de barco - pequenos botes a motor que transportam os banhistas para a praia, à medida que chegam. Não há horários; a viagem faz-se sempre que há passageiros; nem qualquer tipo de cais de embarque: para subir ao barco, é preciso molhar os pés e chapinhar no lodo. Na hora do regresso, basta voltar ao ponto de desembarque e acenar para que nos vejam, do outro lado da ria. O percurso inclui duas paragens: a primeira, a oeste, no areal junto ao qual se encontram ria e mar; a segunda, a meio da península de Cacela, a muralha natural que protege o estuário do oceano. Atravessada a duna, abre-se ao visitante uma fina língua de areia, que se estende quase em linha reta até à praia da Mantarrota, a leste. À beira-mar, uma constelação de conchas de todos os tamanhos e feitios desenha um trilho colorido junto à rebentação, que é bastante suave durante quase todo o ano. De regresso a Cacela Velha, o fim de tarde dá uma tonalidade prateada ao branco das casas, provocando no visitante um misto de bem estar e nostalgia - que Abu Omar Ibn Darrag, famoso poeta da corte de Almançor, aqui nascido em 958, imortalizou em verso.

Como lá chegar: Na EN 125, sair para Cacela Velha e, depois, seguir a indicação da Fábrica. Aqui, é necessário apanhar o barco, com destino à praia. Custa €1,60, ida e volta