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Vasco Lourenço quer atirar Governo pela janela

Portugal

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Gonçalo Rosa da Silva

O coronel Vasco Lourenço, um dos arquitetos da revolução que, em 25 de abril de 1974, devolveu a democracia a Portugal, considera que os mais altos dirigentes do país estão ao serviço do  estrangeiro e, por isso, "temos de defenestrá-los, como fizemos ao Miguel de Vasconcelos, em 1640"

O presidente da Associação 25 de Abril sugere que os governantes sejam atirados da janela, dando assim voz à sua indignação relativamente às declarações do então ministro dos negócios Estrangeiros, Paulo Portas, que durante o debate da semana passada sobre o Estado das Nação falou de Portugal como sendo um protetorado.

Portugal tem uma longa tradição de defenestrações (do latim, fenestra, janela) de dirigentes ao serviço de potências estrangeiras ocupantes. A primeira de que há registo escrito é mencionada nas crónicas de Fernão Lopes e ocorreu durante a revolução de 1383, quando o povo de Lisboa invadiu a Sé e atirou o bispo da cidade, o castelhano Martinho de Zamora, pela janela da torre do templo.

A referida por Vasco Lourenço aconteceu em 1640, aquando da Restauração da Independência. O secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos, personagem odiada pelos portugueses por colaborar  com os ocupantes espanhóis. Este caso não terá sido uma defenestração genuína, já que Vasconcelos foi morto a tiro pelos conjurados antes de ser atirado da janela.

Vasco Lourenço falava, na quinta-feira, 25, num debate sobre políticas de saúde, realizado na sede da Associação 25 de Abril. O encontro, moderado pelo ex-bastonário da ordem dos advogados, Rogério Alves, decorreu num tom bastante crítico em relação às políticas de saúde seguidas pelo Governo de Passos Coelho, tendo sido realçado o risco de desmantelamento do Serviço Nacional de Saúde. Estiveram também presentes, entre outros, Armando Vieira, presidente da Associação Nacional de Freguesias e José Filipe Pinto, porta-voz do Movimento +Saúde.