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Urgências: Deslocar profissionais entre hospitais em vez de doentes

Portugal

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José Carlos Carvalho

Os profissionais em serviço nas urgências de Lisboa e Vale do Tejo vão passar a deslocar-se a outros hospitais para evitar o transporte de doentes, uma possibilidade que avançará nas áreas de cirurgia vascular e gastroenterologia

A medida faz parte da organização dos serviços de urgência metropolitana de Lisboa, que está a ser levada a cabo pela respetiva Administração Regional de Saúde.

Fonte deste organismo adiantou à agência Lusa que esta organização compreende algumas inovações, como "a possibilidade de profissionais em serviço se deslocarem a outras unidades hospitalares, obviando assim a necessidade de transportar doentes muitas vezes em condições clínicas exigentes".

A mudança passa ainda pelo estabelecimento, no período noturno, de dois centros de trauma com capacidade para atender grandes traumatizados, uma vez que este tipo de doentes necessita da ação coordenada de todas as especialidades cirúrgicas, nos hospitais de Santa Maria e de São José.

De acordo com a Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, o objetivo deste processo de organização é "obter racionalização de recursos em áreas em que a casuística de atendimentos o permita, sem perturbação da qualidade dos cuidados prestados aos cidadãos".

"Este contexto organizacional vai permitir colmatar dificuldades em especialidades deficitárias na região e redirecionar recursos para a atividade programada, nomeadamente consultas médicas e cirurgias", prossegue o esclarecimento deste organismo.

A ARS recorda que, atualmente, já se encontra em funcionamento a urgência metropolitana de otorrinoloringologia (OTL), no Hospital de Santa Maria, no período entre as 20:00 e as 08:00.

Neste período do dia, apenas o Hospital de Santa Maria disponibiliza a OTL, cabendo aos hospitais da região com serviço de otorrinoloringologia participar na referida urgência e enviar médicos para assegurar as escalas.

Esta experiência "é positiva", registando-se atualmente um número de atendimentos médio nesta urgência, entre as 20:00 e as 24:00, de 1,59 por hora e de 0,64 atendimentos por hora entre as 00:00 e as 08:00.

A intenção da ARS é alargar esta modalidade às áreas de oftalmologia, cirurgia vascular, cirurgia plástica, neurologia, gastroenterologia e psiquiatria.

A mudança deverá entrar em funcionamento dentro de três meses.