Sócrates teria plano para antecipar eleições
06.02.2010 às 13h04
Segundo o Correio da Manhã, as escutas do processo Face Oculta revelam que José Sócrates e Armando Vara tinham um plano para anular politicamente o Presidente da República, forçando eleições antecipadas em 2011
A edição deste sábado do Correio da Manhã diz que José Sócrates e Armando Vara montaram uma conspiração com o objectivo atingir o Presidente da República, provocar eleições antecipadas em 2011 e que planeavam usar dinheiro de empresas públicas para financiar a campanha eleitoral do PS.
De acordo com o jornal, que diz ter tido acesso a extractos das escutas do processo "Face Oculta", essas conversas revelam um plano de Sócrates e Vara visando criar uma crise política, numa altura em ambos anteviam a perda da maioria absoluta do PS, que veio a verificar-se Setembro. Perante esse cenário, os dois achavam que seria necessário provocar eleições legislativas já no próximo ano, de maneira a poder recuperar a maioria absoluta.
O Correio da Manhã garante ainda que Sócrates e Vara planeavam usar o dinheiro das empresas públicas do Estado para financiar a campanha socialista. Os investigadores teriam mesmo considerado que esta estratégia de intromissão na vida das empresas públicas configurava um crime de atentado contra o Estado de Direito Democrático. Um crime com uma moldura penal de 2 a 8 anos de prisão se for consumado e de 1 a 4 anos na forma tentada.
Ao longo das escutas a que o Correio da Manhã diz ter tido acesso, a líder do PSD, Manuela Ferreira Leite é várias vezes insultada, tal como Cavaco Silva. Em relação ao Presidente da República, o jornal diz que Sócrates e Vara consideravam que o conseguiriam controlar através do genro, Luís Montez, por este ir ficar com uma das rádios do grupo Prisa. A escutas revelarão mesmo que os Sócrates e os amigos estavam confiantes que, depois disso, Cavaco Silva "iria passar a tomar conta dos netos".
O diário revela ainda que a propósito da compra da TVI por parte da PT, um dos mais conceituados agentes da Polícia Judiciária considerou este processo um "sério atropelo dos mais elementares princípios que devem nortear os Estados Democráticos".