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Sócrates pede "sobressalto cívico" contra as campanhas negras

Portugal

José Sócrates queixou-se de ser alvo sucessivas campanhas negras, afirmando que os socialistas nunca consentirão sem um "sobressalto cívico" que a democracia se transforme num terreno de "calúnias".

O secretário-geral do PS queixou-se hoje de ser alvo sucessivas campanhas negras contra a sua dignidade e honra, afirmando que os socialistas nunca consentirão sem um "sobressalto cívico" que a democracia se transforme num terreno de "calúnias".

"Há um combate a travar pela decência da nossa vida democrática. Quero dizer-vos que também estou aqui porque não podemos deixar que vençam aqueles que fazem política com as armas da calúnia, da difamação e dos ataques pessoais", declarou José Sócrates no seu primeiro discurso no congresso do PS, em Espinho.

Num capítulo em que aludiu às tentativas políticas para o envolveram no caso "Freeport" - e em que foi várias vezes interrompido pelos aplausos dos delegados -, Sócrates vincou que se recandidata a primeiro-ministro em nome da ética e da qualidade da democracia.

Sócrates frisou então que a democracia vive do "confronto das ideias, do debate, franco e leal, da força das convicções, e do respeito pelos adversários políticos".

E num apelo aos delegados a este congresso deixou a seguinte mensagem: "Não podemos consentir sem um sobressalto cívico que a democracia se transforme num terreno propício para as campanhas negras, para as suspeições, insultos e ataque pessoal".

"Os portugueses sabem bem que desde a campanha eleitoral de 2005 - e durante estes quatro anos - aqueles que não conseguiram vencer de uma forma decente tudo fizeram em sucessivas campanhas negras para atacar a minha honra e para atacar a minha dignidade", declarou.

O secretário-geral do PS visou também alguma comunicação social que tem explorado mais estes casos, contrapondo que o poder em democracia está no povo e não "em directores de jornais".

"Umas atrás de outras essas campanhas são sempre desmascaradas e desmentidas. A verdade acabou sempre por vir ao de cima", começou por dizer o líder socialista.

Para Sócrates, chegou o momento de "perguntar aos portugueses com clareza se querem uma democracia assim" com "campanhas negras".

"Pela nossa parte, a resposta é calara: não queremos uma democracia do vale tudo, uma democracia de agressões permanentes, de insultos e de ataques pessoais, porque somos o partido da liberdade, porque esses insultos e ataques pessoais degradam a liberdade e a democracia", disse.

Em nome da "qualidade da democracia" e de uma "ética democrática", Sócrates sustentou depois que "é preciso que fique claro que, em democracia, quem governa é quem o povo escolhe - e não qualquer director de jornal com as suas campanhas".

Palavras que motivaram um dos mais fortes ovações, num discurso que durou cerca de 50 minutos.