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Sócrates acusa Cavaco de ter feito cair o seu governo

Portugal

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O ex-primeiro-ministro José Sócrates afirmou esta noite, em entrevista à RTP, que apenas pretende participar no debate político e negou ter planos para se candidatar ou à Presidência da República ou a qualquer outro cargo político. A Cavaco Silva apontou como "mão escondida" que crise que derrubou o seu governo

Na entrevista, conduzida pelos jornalistas Paulo Ferreira e Vítor Gonçalves, o ex-primeiro-ministro apontou o Presidente da República como a "mão escondida" da crise política que derrubou o seu Governo e considerou que Cavaco Silva não tem autoridade moral para o acusar de deslealdade institucional.

Estas acusações de José Sócrates ao chefe de Estado marcaram a segunda parte da entrevista que concedeu à RTP, depois de os jornalistas o terem confrontado com o facto de Cavaco Silva se ter queixado por escrito de deslealdade institucional, sobretudo em relação ao processo do PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento) IV.

"Passemos por cima da atitude do Presidente da República, que diz tudo, porque fez um ataque pessoal por escrito um ano depois de ter saído do Governo, de estar fora da vida política e me ter remetido ao silêncio. Não reconheço no Presidente da Republica nenhuma autoridade moral para dar lições de lealdade institucional", declarou.

"Nem candidatura a Belém, nem a qualquer cargo político"

Na entrevista, o antigo primeiro-ministro começou por dizer "há um tempo para tudo na vida. Este é um tempo para tomar a palavra. E é isso que pretendo fazer. Tomar a palavra".

Interrogado sobre quais os seus plenos políticos a curto e médio prazo, José Sócrates afastou a possibilidade de voltar à política ativa: "Nem candidatura a Belém, nem a qualquer cargo político".

Sobre as acusações de ser o responsável pela atual crise em Portugal, José Sócrates defendeu que essa "é a narrativa que a direita apresentou ao país".

Garantindo assumir "todas as responsabilidades" da sua governação - e não as que, alega lhe querem atribuir, o socialista insistiu que o chumbo do PEC IV foi o que levou o país a ter de recorrer à ajuda internacional.

Os estudos em Paris

Sócrates considerou ainda uma "calúnia" a ideia de que tem uma vida de luxo em Paris e afirmou que contraiu um empréstimo para suportar um ano de estudos na capital francesa.

"É mentira que eu tenha uma vida de luxo em Paris, é também mentira que tenha sido recusado por três vezes pela universidade, basicamente insinuando que tinha um comportamento de que se devia duvidar", disse, tecendo duras críticas à cobertura jornalística do Correio da Manhã, que acusou de lhe mover uma "campanha ignóbil" a propósito do seu estilo de vida em Paris, para onde foi viver e estudar ciência política.