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Portas 'não aceita' corte nas pensões

Portugal

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O líder do CDS-PP anunciou este domingo não concordar com a nova contribuição sobre pensões e adiantou que o Governo vai negociar com a 'troika' para encontrar medidas de redução da despesa do Estado equivalentes

"O primeiro-ministro sabe e creio ter compreendido que esta é a fronteira que não posso deixar passar", afirmou o líder centrista.

O presidente centrista e ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros falava numa conferência de imprensa na sede do CDS-PP sobre as medidas de austeridade anunciadas na sexta-feira pelo primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

"O acordo  (do Governo) foi o de procurar medidas suplementares sobretudo  na despesa do Estado consigo próprio para permitir, como diz a carta do  primeiro-ministro à 'troika', apresentar medidas de valor superior, ganhar  margem de manobra e procurar que o resultado final seja mais justo e mais  equilibrado", declarou Paulo Portas, já em resposta às perguntas dos jornalistas.

Paulo Portas referiu que nesse acordo de procurar medidas suplementares,  "que foi, e bem, assumido pelo primeiro-ministro", e na negociação com a  'troika', o Governo tem "de invocar a credibilidade de Portugal por já ter  feito o esforço que fez e cumprido objetivos que excederam os de outros".

"Sim, Portugal tem de cumprir um resultado, mas tem de preservar para  si, entre nós, os que conhecemos bem o país, a escolha das medidas para  atingir esse objetivo", advogou. 

Na sua intervenção, de quase 40 minutos, o presidente democrata-cristão  e líder do segundo partido da coligação disse não aceitar este "duplo fator  de sustentabilidade", que diz ser a nova contribuição anunciada, e garantiu  que fará "tudo" para que na negociação "se poupe quem deve ser poupado e  não se carregue quem não merece". 

Portas considerou que esta contribuição adicional para os pensionistas  é "problemática" e tem efeitos sociais nefastos num país "em que grande  parte da pobreza está nos mais velhos" e onde há "avós a ajudar os filhos  e a cuidar dos netos". 

 "Não quero que em Portugal se verifique uma espécie de cisma grisalho,  que afetaria mais de três milhões de pensionistas, uns da Segurança Social,  outros da Caixa Geral de Aposentações, quero, queremos todos no Governo,  uma sociedade que não descarte os mais velhos, quero, queremos todos no  Governo, um ajustamento que não prejudique sobretudo os que não têm voz",  enfatizou. 

O presidente do CDS-PP referiu ainda que, "perante a pressão para antecipar  cortes de salários e pensões", esteve "entre os que aconselharam o primeiro-ministro  a resolver o problema exigindo ao Estado mais redução na sua despesa de  funcionamento, em vez de pedir mais impostos a uma sociedade já sufocada  fiscalmente". 

"Não sendo essa opção suficiente, o meu parecer foi o de que era melhor  que o Governo pedisse à sociedade mais esforço mas, em contrapartida, não  reduzisse mais o rendimento disponível dos trabalhadores e dos reformados",  adiantou, acrescentando que "em 2013 não haverá no essencial novas reduções  do poder de compra e isso é, no contexto possível, positivo".