Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Passos sob fogo cerrado no Parlamento

Portugal

  • 333

Pedro Passos Coelho foi alvo de todas as críticas da oposição, com destaque para a dureza do Bloco de Esquerda e do PCP. Respondeu, mas, antes omitira parte do discurso que tinha preparado. LEIA AQUI O QUE PASSOS NÃO DISSE

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou hoje que pertence a uma "raça de homens" que honra os compromissos assumidos pelo país e que paga aquilo que deve, mesmo que tenha de pedir sacrifícios.

Pedro Passos Coelho falava na parte final do debate quinzenal na Assembleia da República, ainda em resposta a anteriores acusações ao Governo feitas pelo líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã.

"Eu pertenço a uma raça de homens que não se vira para aqueles que lhe emprestaram o dinheiro e dizem depois que não aceitam chantagem porque querem ver o dinheiro de volta, ou que dizem depois não há o direito de se coagir por se dever", apontou.

O coordenador do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã, acusara também o primeiro-ministro de ter declarado "guerra aos portugueses" e considerou que estes "merecem defender-se".

"O senhor declarou guerra aos portugueses e os portugueses merecem defender-se, em nome de Portugal", afirmou Francisco Louçã no debate quinzenal com o primeiro-ministro no Parlamento.

O líder bloquista contestou que o primeiro-ministro use a expressão "devolução" de um dos subsídios aos funcionários da administração pública.

Pedro Passos Coelho acusou também os deputados do PCP de "instigarem" à violência, depois de o secretário-geral comunista, Jerónimo de Sousa, ter considerado que o Orçamento de 2013 é um "saque" e "roubo" aos trabalhadores.

A troca de acusações decorreu no plenário da Assembleia da República, durante o debate quinzenal dos deputados com o Governo.

Na sua intervenção, o líder do PCP referiu-se ao Orçamento do Estado para 2013 proposto pelo Governo, cuja versão preliminar foi divulgada nas últimas horas por diversos meios de comunicação social.

Discurso omitido

Antes mesmo do debate, o Primeiro-ministro surpreendeu todos ao omitir, no seu discurso inicial, uma parte do texto em que falava da proposta de Orçamento do Estado para 2013. O texto tinha sido distribuído aos jornalistas, que logo repararam que Passos Coelho omitiu as últimas páginas e meia do seu discurso. Leia aqui a passagem omitida:

"Mas o que temos de fazer exige no momento atual custos e sacrifícios que também não podemos minimizar. O esforço que o Orçamento do Estado para 2013 implicará para todos os portugueses, principalmente para os que têm mais meios para lhe corresponder e para o próprio Estado, é a nossa resposta para salvaguardar a presença europeia, as instituições do Estado social e as condições de recuperação da economia nacional. As opções são extremamente limitadas e os nossos graus de liberdade são reduzidos. Nessa medida, explorámos todas as combinações e alternativas, procurando as que, cumprindo as nossas metas, fossem também menos pesadas no presente e mais eficientes no futuro. Ninguém nos pode acusar de não ter ponderado nem tentado as diferentes possibilidades. Era esse o nosso dever para com os portugueses e era essa a nossa obrigação diante dos sacrifícios e da determinação de que todos os dias dão provas."