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Passos contra "usar dinheiro dos contribuintes para pagar falta de ética"

Portugal

O primeiro-ministro recusou, na sexta-feira à noite, "varrer" as más notícias para "baixo do tapete", sublinhando ser sempre melhor enfrentar os problemas do que "usar o dinheiro dos contribuintes para pagar a falta de ética e escrúpulos"

"Hoje começamos a perceber que por mais desagradável, por piores notícias que possam parecer algumas que nos invadem a casa à hora mediática dos telejornais, é melhor saber e enfrentar as más notícias do que varrer para baixo do tapete, fazer de conta e usar o dinheiro dos contribuintes para pagar a falta de ética, de escrúpulo", afirmou o primeiro-ministro e líder do PSD, Pedro Passos Coelho, numa intervenção na Festa do Pontal, que se realizou em Quarteira e que marca a 'rentrée' política dos sociais-democratas.

Defendendo a necessidade de olhar as coisas como elas são, Passos Coelho reconheceu que se vivia em Portugal "uma economia em que certos privilégios se iam reproduzindo de ano para ano" por quem estava no Governo e por quem financiava a economia.

"Só à medida que o tempo passa nos vamos apercebendo bem dos privilégios, para não dizer da falta de ética que vigorava entre muita gente que vivia entre a política e os negócios e os negócios e a política", frisou Passos Coelho, sem nunca referir algum caso concreto.

Contudo, acrescentou, agora "uma nova economia está a nascer", ao mesmo tempo que cresce uma sociedade com maior cultura de exigência, em que se "excluem os privilégios".

"Não é preciso ser-se amigo de quem está no Governo para poder ter empréstimos, a começar na Caixa Geral de Depósitos e a acabar na banca privada, esta economia nova que está a nascer é a melhor garantia de que o país não vai voltar atrás", disse, insistindo que o Governo poderia ter preferido manter a máxima 'mexer muito para que tudo fique na mesma' ou "fazer de conta e ocultar".

Porém, sustentou, se o executivo não tivesse protegido os contribuintes, não tivesse apostado na independência dos reguladores e separado a política dos negócios, estaria a construir-se em cima de "bases podres".

Passos Coelho, admitiu, contudo, existem ainda pessoas "em quase todos os partidos" que continuam ligadas ao passado e que acreditam que "que depois deste interregno" se poderá voltar àquilo que era.

"Pois bem, seja na oposição, seja no meu próprio partido, devo deixar bem claro que continuarei a bater-me sempre para que Portugal nunca mais volte a pagar o preço da bancarrota, dos privilégios injustificados, de uma sociedade que reparte injustamente os benefícios sociais e os prejuízos privados", declarou.

Na sua intervenção, sempre acompanhada por protestos ao longe de cerca de uma dezena de elementos da Comissão de Utentes da Via do Infante (A22), Passos Coelho deixou também críticas à falta de apoio da oposição às medidas que o Governo teve de tomar num tempo "cheio de dificuldades".

"A oposição comportou-se em Portugal de uma forma que não esteve à altura das circunstâncias dramáticas que vivemos", acusou, ainda antes de ter desafiado o PS a estabelecer um acordo para a reforma da segurança social antes das eleições de 2015.