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Passos Coelho diz que medida mais "sensata" contra desemprego seria baixar salário mínimo

Portugal

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Contra a sugestão do líder do PS de aumentar o salário mínimo, o primeiro-ministro recordou o exemplo da Irlanda, que fez o oposto. Passos Coelho sublinha, no entanto, que a medida não poderia ser aplicada em Portugal devido ao já baixo valor do salário mínimo

"Quando um país enfrenta um nível elevado de desemprego, a medida mais sensata que se pode tomar é exactamente a oposta. Foi isso que a Irlanda fez no início do seu programa", recordou o primeiro-ministro, reagindo à proposta de António José Seguro de aumentar o salário mínimo nacional.

Passos Coelho reconhece, no entanto, que  "a Irlanda tinha um nível de salário mínimo substancialmente superior ao nosso", - 1462 euros mensais - pelo que o memorando de entendimento assinado com a troika não podia contemplar essa medida. Em Portugal, o salário mínino é atualmente de 566 euros.No debate na Assembleia da República, o primeiro-ministro defendeu ainda a necessidade de prosseguir "com firmeza e resiliência" o "programa ambicioso de reformas" estruturais, condição para que o país possa voltar a crescer e a criar emprego.

Na intervenção com que abriu o debate quinzenal com o Governo no Parlamento, o chefe do Governo devolveu ainda a crítica dos que apontam insensibilidade social ao executivo por prosseguir com as reformas previstas no programa de ajustamento.

Alguns entendem que o Governo ao determinar essa resiliência não tem sensibilidade social. Eu gostaria de dizer, em particular aos partidos da oposição, que não foi com certeza a fina sensibilidade social que levou o anterior governo a pedir um resgate externo (...) ou que empurrou o país para um nível de dívida pública em percentagem da riqueza criada no país tão elevado como o que temos", referiu. 

Referindo-se pela primeira vez à manifestação de sábado, Passos Coelho garantiu que  não vai governar "em função de manifestações", embora reconhecendo que nenhum executivo pode ficar indiferente às expressões populares de descontentamento.

Este Governo nunca se envolverá em polémicas sobre manifestações. Reconhecemos o direito e a legitimidade das pessoas se expressarem e nenhum governo deve ficar indiferente. Agora, não vou governar em função das manifestações porque no dia em que um governo tiver de decidir em função desses critérios, demite-se da sua responsabilidade e não está a altura das suas funções", defendeu.