Visão

Siga-nos nas redes

Perfil

Olhos postos na AR, em dia de primeiro debate após proposta de Cavaco

Portugal

  • 333

O primeiro-ministro abre hoje o debate do 'estado da Nação', fazendo a primeira intervenção pública após o Presidente da República ter defendido um acordo entre PSD, PS e CDS que preveja eleições antecipadas no pós-'troika'

O debate na Assembleia da República, que encerra a sessão legislativa  e com mais de três horas e meia de duração (217 minutos), acontece depois  de o chefe de Estado ter iniciado na quinta-feira o processo de consulta  aos líderes dos três maiores partidos e vai realizar-se com a atual composição  do Governo, desconhecendo-se o que tenciona Cavaco Silva fazer em relação  à remodelação acordada entre PSD e CDS. 

Paulo Portas, que tinha apresentado a sua demissão do executivo na semana  passada, e que entretanto foi proposto por Passos Coelho para vice-primeiro-ministro,  comparecerá por isso na Assembleia da República na qualidade de ministro  de Estado e dos Negócios Estrangeiros. 

Depois do encontro com o chefe de Estado, na quinta-feira, fonte oficial  do Governo transmitiu à Lusa que o primeiro-ministro expressou ao Presidente  da República "o seu empenhamento em chegar a um acordo com as características  que o chefe de Estado enunciou na quarta-feira". 

Também o PSD, pela voz da vice-presidente Teresa Leal Coelho, e o CDS-PP,  através do líder parlamentar Nuno Magalhães, manifestaram disponibilidade  para debater a proposta de consenso proposta pelo Presidente. 

Já o secretário-geral do PS, António José Seguro, também falará hoje  pela primeira vez em público depois da comunicação ao país do Presidente  da República. No final de uma reunião extraordinária do Secretariado Nacional,  na quinta-feira à noite, o Secretariado Nacional do PS reiterou, em comunicado,  a sua disponibilidade para iniciar um processo de diálogo, advertindo que  exclui do processo "qualquer possibilidade de apoio e muito menos integração  em qualquer solução governativa que resulte do atual quadro parlamentar".

Na quarta-feira, numa declaração ao país depois de audiências com os  partidos e os parceiros sociais, na sequência da demissão de Paulo Portas,  Aníbal Cavaco Silva propôs um "compromisso de salvação nacional" entre PSD,  PS e CDS que permita cumprir o programa de ajuda externa e que preveja eleições  antecipadas a partir de junho de 2014. 

"No contexto das restrições de financiamento que enfrentamos, a recente  crise política mostrou, à vista de todos, que o país necessita urgentemente  de um acordo de médio prazo entre os partidos que subscreveram o Memorando  de Entendimento com a União Europeia e com o Fundo Monetário Internacional,  PSD, PS e CDS", afirmou o chefe de Estado.  

A agência Lusa tentou saber junto de vários gabinetes do Governo que  outros membros do executivo intervirão durante o debate e a quem caberá  o discurso de encerramento, mas tal não foi possível. 

Há precisamente um ano e um dia, a 11 de julho, teve lugar o último  debate do 'estado da Nação', que ficou marcado pelos apelos do primeiro-ministro  ao PS para abandonar "o taticismo político" e "participar construtivamente"  e pelas críticas do secretário-geral socialista, António José Seguro, que  acusou o executivo de levar o país "de mal a pior", e dos restantes partidos  da oposição. 

Nesse debate, o CDS-PP, pela voz do deputado Telmo Correia, deixou garantias  de que a coligação governamental é "à prova de bala" e salientou a importância  de uma "governação maioritária". 

O debate anterior, em 2010, ficou marcado pelo pedido do presidente  do CDS, Paulo Portas, ao então primeiro-ministro, José Sócrates, para que  abandonasse o Governo e a proposta de um executivo com democratas-cristãos,  PSD e PS.  

Nessa altura, Portas defendeu que o país deveria ter uma coligação tripartida  para três anos, com o objetivo de "tirar o país do atoleiro", já que com  José Sócrates "isso não é possível".