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O que vai mudar, até ao final do ano

Portugal

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Passos Coelho prometeu que o Governo não teria férias. O caso não é para menos: vem aí um programa de cortes que, segundo a troika, "vai além" do que se esperava. Saiba o que o espera, mês a mês, até dezembro

O novo primeiro-ministro começou o seu mandato a prometer cortes, incluindo de privilégios, no seu Governo. Que seria o mais curto da história. Que não teria férias. Que os ministros, secretários de Estado, adjuntos e assessores não terão autorização para viajar em classe executiva, nas viagens mais curtas. Que não haveria nomeações políticas, incluindo de governadores civis e subdiretores distritais da Segurança Social. Que os estudos em outsourcing seriam limitados. Que os carros de serviço não poderiam ser usados ao fim de semana, para poupar nas horas extraordinárias dos motoristas. Que um ministro gastador seria penalizado por ultrapassar o seu orçamento do seu Ministério.

Trata-se de liderar uma mudança com "o poder simbólico do exemplo", anunciou Pedro Passos Coelho.

Mas como os simbolismos não fazem descer o défice e os exemplos são para ser seguidos, logo no debate do Programa do Governo, os portugueses ficaram a saber que também eles seriam chamados a contribuir para a estratégia de cortes, com o equivalente a metade do seu subsídio de Natal. "O Governo está a preparar a adoção, com caráter extraordinário, de uma contribuição especial que incidirá sobre todos os rendimentos sujeitos a englobamento no IRS, respeitando o princípio da universalidade", disse o primeiro-ministro, no Parlamento. "Apenas cidadãos com rendimentos inferiores ao salário mínimo nacional, serão dispensados", acrescentou.

Esta é a principal informação que os portugueses levam para digerir durante as férias do verão. Quando regressarem ao ativo, em setembro, já mais coisas terão mudado e outras estarão para mudar. Quem ficou contente com as novidades foram os credores, em especial a Comissão Europeia. "Congratulamo-nos com este programa que está em consonância com o memorando de entendimento e, em particular, o facto de, nalgumas áreas, a proposta ir além do que é estritamente exigido", comentou Amadeu Altafaj, porta-voz para os Assuntos Económicos e Monetários daquele organismo.