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O comunicado de demissão de Joaquim Pais Jorge

Portugal

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Leia aqui o comunicado do secretário de Estado do Tesouro sobre o pedido de demissão apresentado esta quarta-feira

Apresentei hoje o meu pedido de demissão à senhora Ministra de Estado e das Finanças. 

Aceitei o convite que me foi dirigido pela senhora Ministra de Estado e das Finanças no passado dia 1 de Julho com muito orgulho. A situação que o país atravessa é dificílima e senti uma enorme honra em poder ajudar.

Sabia desde o primeiro momento que as dificuldades seriam imensas. A função de Secretário de Estado do Tesouro num país que vive debaixo de um programa de assistência financeira é especialmente complexa. Preparar o regresso pleno aos mercados, executar o programa de privatizações ou tutelar o Sector Empresarial do Estado, só para citar alguns exemplos, são tarefas de enorme dificuldade, especialmente tendo em conta a situação financeira do país que já referi. 

Apesar das dificuldades que conheço bem, entendi que deveria responder afirmativamente à solicitação que a senhora Ministra de Estado e das Finanças me endereçou. O facto de uma pessoa excecional, como é a senhora Ministra de Estado e das Finanças, considerar que eu poderia ser útil bastou-me para tomar essa decisão. Trabalhei incessantemente e com enorme orgulho no mês que passou na função de Secretário de Estado do Tesouro. 

Perante a grandeza destes desafios, nunca pensei que os maiores obstáculos emergissem do domínio estritamente pessoal. Enganei-me.

As notícias vindas a público nos últimos dias, em que uma apresentação com mais de oito anos foi falseada para que incluísse o meu nome, revelam um nível de atuação política que considero intolerável. A minha disponibilidade para servir o país sempre foi total. Não tenho, no entanto, grande tolerância para a baixeza que foi evidenciada. 

Entendo que todos temos que dar o nosso melhor para ultrapassar as dificuldades enormes que atravessamos. No entanto, considero que não tenho que me sujeitar a este tipo de tratamento mediático de que fui alvo nos últimos dias. Foram exploradas e distorcidas declarações que fiz sempre de boa-fé. É este lado podre da política, de que os Portugueses tantas vezes se queixam, que expulsa aqueles que querem colocar o seu saber e a sua experiência ao serviço do País. 

Tomei esta difícil decisão porque nunca permitirei que controvérsias criadas sobre o meu percurso profissional, que não escondi, possam ser usadas como arma de arremesso político contra o Governo. Saio do Governo porque temos problemas muito sérios associados à emergência económica e financeira em que fomos envolvidos e que urge resolver. Não posso permitir que o debate público se afaste dos problemas centrais e daquilo que é essencial para a vida de todos nós.

Saio sem qualquer arrependimento e de consciência limpa. Nenhuma manobra de baixa política poderia mudar a minha disposição de serviço à causa pública, nem de dedicação a Portugal. Retiro-me, no entanto, esperando muito sinceramente que a minha saída permita que todos se recentrem naquilo que é verdadeiramente importante. Reitero o agradecimento pela confiança que em mim foi depositada. Lisboa, 7 de agosto de 2013 Joaquim Pais Jorge"