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'Museu de Arte Popular é para avançar'

Portugal

Gabriela Canavilhas, nova ministra da Cultura, já tem caderno de encargos para Sócrates. Leia já a sua primeira entrevista, em exclusivo. Na VISÃO desta quinta-feira, leia a reportagem e o perfil

Acompanhámos a nova ministra da Cultura numa viagem de trabalho, ao Porto. Um fim-de-semana com a ministra pianista permite conhecê-la melhor. Leia a reportagem e o perfil na edição desta semana da VISÃO. E leia aqui a entrevista: Gabriela Canavilhas já tem um caderno de encargos para José Sócrates...

 

Tem mesmo esse caderno de encargos?

 (Risos) Tenho...

 

Quer revelar?

Já o revelei ao primeiro-ministro!

 

A Cultura vai chegar a 1% do Orçamento do Estado?

Não deve chegar. Teremos um período difícil, nos próximos três, quatro anos. Todas as decisões sobre investimento na Cultura têm também o pano de fundo da crise.

 

E é possível fazer um trabalho efectivo com menos de um por cento?

Com 0,4% não. Mas haverá um impulso significativo para a Cultura e ela será um ponto estratégico de desenvolvimento nacional.

 

Terá de fazer um esforço extra para não ser conotada com a área da música?

Não será preciso. Sempre tive preocupações culturais que extravasam a música.

 

Como distribuirá a verba?

Neste momento, mais dinheiro para o orçamento corrente e menos para investimento. É preciso dar melhores condições de trabalho às diversas estruturas da Cultura espalhadas pelo País.

 

E o Museu de Arte Popular?

Avança, já este ano. Esperamos inaugurá-lo em 2010. Tal como foi concebido e no espaço onde estava.

 

E o Museu da Língua?

A expansão portuguesa e a língua portuguesa serão um projecto comum.

 

Como o vai concretizar?

Haverá um Museu, de preferência situado num local emblemático para a Portugalidade. 

E o novo Museu dos Coches?

Por mim, as obras tinham arrancado já na semana passada. Estamos empenhados em mandar os bulldozers para lá imediatamente.

 

Mas é um projecto grande... Vai ser possível avançar com todos os novos projectos e ainda dar  o tal "conforto" aos equipamentos que já existem?

Tem que ser. Temos de actuar nas várias frentes e o Museu dos Coches será, certamente, uma obra muito importante para Lisboa.

 

O cheque-obra, para o património edificado, vai continuar?

Sim.

Esta visita oficial ao Norte, significa preocupação em descentralizar a Cultura?

A palavra descentralização não se aplica ao Porto, que é ele próprio um centro de cultura e de produção. Mas a descentralização é fundamental e vai ao encontro de um princípio de coesão nacional.

O Governo tem esquecido a Cultura na província...

A Administração Central pode andar, de vez em quando, distraída. Mas tem sido feito um trabalho interessante, com recurso à iniciativa local, quer dos artistas, quer até de algumas autarquias conscientes da importância do sector cultural. Veja-se os resultados que a rede de cine-teatros já está a produzir. Há muito boas surpresas no interior, como Montemor ou Bragança - e não vou referir os Açores (risos). Onde gostaria de ver um trabalho de desenvolvimento cultural mais intensivo seria no Alentejo e em toda a raia, próximo da fronteira com Espanha, onde poderíamos, eventualmente, conseguir sinergias bastante interessantes, que seriam, também, um motor de desenvolvimento nacional. 

 

Há algum plano de promoção da cultura portuguesa lá fora?

Claramente, esta legislatura vai ser também de afirmação da Portugalidade no mundo, no sentido em que também se celebram datas emblemáticas da chegada dos portugueses ao Extremo Oriente e portanto vai haver uma série de iniciativas que importa planear.

 

Acha que o Instituto Camões deveria estar mais próximo do Ministério da Cultura?

Não tenho qualquer ambição relativamente a essa matéria. Está muito bem com os Negócios Estrangeiros e a proximidade entre a Cultura e o MNE, na gestão conjunta de projectos está em cima da mesa.

Que marca gostava de deixar no Ministério da Cultura?

Não quero deixar marcas. Gostava que, no final do meu mandato, se respirasse a cultura de outra maneira, que a cultura fosse, de facto, um estado de espírito.