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Mulheres têm direito à mentira em entrevistas de trabalho

Portugal

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Marcos Borga

Numa entrevista à VISÃO, Maria do Rosário Ramalho, presidente da Associação Portuguesa de Direito do Trabalho, lembra que a lei não permite que o empregador pergunte a uma candidata se pretende ou não engravidar 

A fronteira entre trabalho e vida privada está mais difusa?

A conciliação entre vida profissional e familiar nunca foi tão difícil. Os horários das crianças são os mesmos, os das mães é que não. O mercado de trabalho tornou-se muito competitivo e o modelo de contratação é masculino. Há empregadores a dizerem às trabalhadoras que não podem engravidar.

Reconhece-se o direito à mentira?

Sim. Podemos dizer que não queremos estar grávidas, querendo. O empregador não pode fazer a pergunta. A lei não permite. A outra parte tem o direito a dar a resposta mais adequada para evitar o efeito daquele ato ilícito. A pergunta é abusiva.

Fala-se dos trabalhadores como um peso. Isto altera o equilíbrio de forças?

O medo do desemprego leva a aceitar alterações do estatuto laboral que não se admitiriam numa conjuntura mais favorável. A nossa taxa de desemprego é estrutural: 50% estão sem trabalho há mais de um ano. Os trabalhadores não se salvaguardam tanto nos seus direitos. Querem é o emprego. Se muitos empresários não se valem disso para práticas menos éticas, outros haverá que abusam. São tempos difíceis.

  • LEIA A ENTREVISTA COMPLETA NA VISÃO DESTA SEMANA 

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