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Missão da Troika regressa a Portugal

Portugal

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A Troika regressa a Portugal para mais uma avaliação ao programa de assistência ao país. Desta vez o foco da visita deverá ser a preparação do Orçamento do 2014 e os cortes no Estado

Reuters

A Troika [Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia] regressa a Portugal para mais uma avaliação ao programa de assistência ao país. Vão ser feitas as oitava e nona avaliações. Esta avaliação, abre a porta a cinco mil milhões e meio de euros e marca também o arranque do último terço do programa, que termina em junho do próximo ano.

A meta do défice para 2014 e a adoção de um programa cautelar serão dois dos temas em negociação pelo Governo e pela troika na próxima avaliação, dois assuntos em que há divergências entre o executivo e os credores internacionais.

A partir desta segunda-feira começam mais duas importantes avaliações, as primeiras conduzidas por Paulo Portas, vice-primeiro-ministro, e por Maria Luís Albuquerque, ministra das Finanças. Um dos aspetos que deverá ser discutido é a meta do défice para 2014, que foi revista em alta para os 4% do Produto Interno Bruto (PIB) que o Governo considera importante voltar a rever, agora para os 4,5%. A reforma do Estado deverá voltar a ser um dos temas da visita, já que foi o tema que atrasou a última avaliação e uma das medidas, a requalificação, já foi chumbada pelo Tribunal Constitucional.

O ex-reitor da Universidade Católica, Manuel Braga da Cruz, afirmou no programa "Conversas Cruzadas" da Rádio Renascença: "Os mercados não estão suficientemente convencidos de que o ajustamento português esteja a correr como o desejado. A crise política teve efeitos nefastos na confiança externa em Portugal", afirma ainda, considerando que "tardam em chegar "pequenas boas notícias". 

Braga da Cruz alerta para os riscos da perda de credibilidade externa, o que obrigaria "a proceder àqueles cortes na despesa do Estado que tinham sido exigidos e que ainda não foram, na sua totalidade, apresentados".

Há coisas a correr bem, mas "também não creio que estejamos a assistir a uma onda de liberalização da economia. Pelo contrário, acho que precisávamos era de uma libertação da economia do excessivo peso que o Estado está a ter nela", defende ainda.