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Merkel em Lisboa com elogios a Portugal na bagagem

Portugal

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A chanceler alemã chegou a Lisboa pouco antes do meio-dia para uma visita oficial de cinco horas num momento em que internamente cresce a contestação ao programa assinado com a 'troika', a que Merkel diz manter-se "fiel"

Esta é a primeira vez que a chefe do Governo da Alemanha visita oficialmente Portugal e reunir-se-á com o Presidente da República, com o primeiro-ministro e o ministro dos Negócios Estrangeiros e com empresários dos dois países.

Em entrevista à RTP, no domingo à noite, Angela Merkel afirmou não haver motivos para Portugal renegociar com a 'troika' ou pedir novo resgate, elogiando a coragem com que o Governo faz o ajustamento financeiro e com que o país cumpre o acordado.

"Neste momento, não há motivos para uma renegociação. Portugal cumpre os compromissos assumidos corajosamente", afirmou a chanceler alemã.

"Portugal cumpriu muito bem os compromissos assumidos. Por isso, estou convencida de que o resultado será bom, mas a dificuldade está nas reformas, que precisam de tempo para ter efeito", sublinhou.

Isto não significa, ressalvou, que seja preciso mais tempo: "Quero dizer que, de uma forma geral, é preciso fazer mudanças dolorosas e não será no dia seguinte que haverá mais empregos e mais investimento. É preciso aguardar mais tempo, as pessoas ainda não veem o resultado, mas esse resultado virá".

Por outro lado, disse não partir do princípio de que Portugal precisará de outro resgate: "Agora as medidas estão a ser muito bem implantadas e esperamos que o programa tenha sucesso."

À espera dos protestos 

Merkel disse saber que enquanto estiver em Lisboa haverá "muitas pessoas que vão mostrar as dificuldades que têm", acrescentando que o direito à manifestação, sem violência, é um "progresso" das sociedades democráticas que não existia na antiga RDA, onde viveu.

"Claro que um programa desta ordem gera grande debate. Mas a minha convicção é de que o Governo português está a ser muito corajoso ao tomar as medidas e tenho o maior respeito por aquilo que está a ser realizado no país", afirmou.

Sobre as vozes que a culpam pela austeridade, respondeu que "naturalmente" as ouve, mas as estranha, lembrando que a 'troika' negoceia com os países.

"Não são ideias minhas. São o resultado da convicção de que Portugal tem de fazer reformas, há que combater o défice e reforçar a base económica", afirmou.

Apesar disso, e de reconhecer que "é um processo duro", que "exige muitos sacríficos", disse continuar "fiel a esses programas" que, no português, "como um todo, está bem estruturado e terá sucesso", negando tratar-se de "mera austeridade".

"Não nos limitamos aos cortes, são importantes as reformas estruturais no direito laboral e outras áreas. As privatizações têm de ser feitas por ainda haver excesso de empresas públicas", afirmou.

Confrontada com as posições do FMI sobre a rigidez da austeridade, respondeu que a diretora do Fundo Monetário Internacional "negociou o programa com Portugal e ela também continuará a assumir esse compromisso".

Sobre a visita a Portugal, disse ser "uma contribuição" para mostrar que a Alemanha "quer ajudar" e "para ver o que se pode melhorar na cooperação entre empresas para gerar mais empregos, para que baixe o desemprego juvenil e haja força económica em Portugal".