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José Sócrates junta figuras da política e da justiça no lançamento do seu livro

Portugal

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O ex-primeiro-ministro juntou, no Museu da Eletricidade, muitos dos ministros dos seus governos e figuras que estiveram no topo da justiça, casos de Pinto Monteiro e de Noronha Nascimento

O ex-primeiro-ministro José Sócrates defendeu hoje, durante o lançamento do seu livro em Lisboa, que devem ser impostos limites à teoria do "mal menor" para justificar a tortura.

No ensaio político "A confiança no mundo", hoje lançado no Museu da Eletricidade, José Sócrates argumenta contra a legitimação da tortura em qualquer cenário, incluindo no chamado "cenário da bomba-relógio", em que, por hipótese, um atentado em massa possa ser evitado através da confissão de suspeitos entretanto detidos.

"A condenação da tortura é muito mais do que uma simples norma legal; ela sempre foi um símbolo identitário para as democracias", escreve na obra.

Contra a admissão da tortura mesmo em momentos-limite, Sócrates impõe a dignidade humana como "linha vermelha".

Perante as centenas de pessoas presentes no lançamento, confessou que gosta "demasiado da acção política para a subordinar" a outras teorias e resumiu o livro a uma abordagem ao "melhor e pior" dos seres humanos. O livro foi apresentado por Mário Soares e Lula da Silva, ex-Presidentes português e brasileiro, respectivamente.

Lula da Silva disse que preferia ouvir "o artista principal" Sócrates, mas confessou ficar com "comichão na língua" perante um microfone e, portanto, falou durante meia hora, animando a plateia.

Depois de saudar muitas das personalidades presentes, da política, da justiça, da economia, arrancando salvas de palmas a cada nome que dizia, Lula da Silva aproveitou para recordar que "não é habitual que um ex-primeiro-ministro vá estudar e se transforme no melhor aluno" depois de deixar o cargo.

Realçando que a tortura é um assunto "esquecido", sobretudo nas democracias, elogiou "o companheiro" Sócrates por ter excluído "qualquer hipótese" de encarar a tortura como algo para além de "abominável". Elogiando Sócrates por ter optado por ir fazer outro curso que não de culinária, Lula da Silva aconselhou a leitura do livro a "muita gente da política, sobretudo conservadora". Mas confessou-se também preocupado "com o futuro do socialismo europeu" e apelou para a renovação da mensagem.

Depois de Lula, Mário Soares disse apenas que Sócrates escreveu "um livro excepcional" e "verdadeiramente político", com o qual ficou "impressionado", e apressou-se a passar a palavra "ao amigo" autor.