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Jorge Sampaio defende que "políticas atuais estão a sufocar o país"

Portugal

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O ex-Presidente da República não vai estar presente, logo à noite, no encontro das esquerdas, na Aula Magna, mas afirma que gostaria que esta fosse "uma primeira etapa num caminho de mudança"

Leia na VISÃO desta semana: 

  • A VISÃO ouviu, em exclusivo, os principais protagonistas: Mário Soares e Jorge Sampaio. Entrevistas na íntegra

  • E foi saber o que esperam os líderes do PCP, Jerónimo Sousa, e do BE, João Semedo

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Como vê o encontro desta quinta-feira, às 21h30 na Aula Magna, entre os três principais partido de esquerda (PS, PCP e BE) e várias personalidades sob o lema "libertar Portugal da austeridade"?

Todas as iniciativas para fomentar o debate público são importantes e louváveis. A mobilização dos cidadãos em relação a questões fundamentais para o nosso futuro colectivo é crucial. A requalificação da democracia, de que tantas vezes tenho falado, passa precisamente por um diálogo interpartidário mais inclusivo e também pela abertura dos partidos à chamada sociedade civil. Só a conjugação de todos estes esforços poderá levar à construção de uma alternativa sustentável às políticas actuais que estão a sufocar o país. Só uma forte e coesa opinião pública interna, com uma visão alternativa clara, viável e concreta, terá o devido eco na Europa de que boa parte do nosso futuro depende.

Sendo uma iniciativa inédita, na nossa história democrática, acredita que vale mais pelo seu simbolismo ou pode significar o início de um debate entre sectores e partidos tradicionalmente desavindos?

Vale certamente pelo valor simbólico e também pelo esforço que denota, mas gostaria que fosse mais do que isso e que representasse uma primeira etapa num caminho de mudança.  As alternativas constroem-se, quase sempre gradualmente, combinando uma abordagem da base para o topo e vice-versa, criando um clima de confiança que permita abrir um processo de diálogo e de negociações que depois desemboquem num conjunto de compromissos e consensos. Um consenso quase nunca é natural, antes resulta de um processo volitivo de cedências, renúncias e acordos, o que, neste caso, é tanto mais verdade quanto são conhecidas as profundas divergências sobre temas essenciais.

Como mentor do único projecto político de coligação entre as várias forças de esquerda (para a Câmara de Lisboa) considera que hoje esse caminho é repetível e desejável?

A nível autárquico é sempre mais fácil porque a proximidade com o terreno, os problemas e as pessoas torna as negociações mais concretas e os resultados mais tangíveis. No entanto, do que sei, parece-me que no âmbito das próximas eleições autárquicas não é de todo esta a tendências dominante, o que, pessoalmente, lamento, mas que é claramente revelador das dificuldades intrínsecas deste caminho, sobretudo quando esteja em causa um projecto mais amplo.

Foi convidado para comparecer na Aula Magna? Conta estar presente?

Sim, fui e falei pessoalmente com o Dr Mário Soares, cuja energia e determinação muito admiro e a quem transmiti as minhas escusas.