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Jorge Sampaio: Biografia retrata meio século da vida política portuguesa

Portugal

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Acaba de ser apresentado o primeiro volume da biografia de Jorge Sampaio, escrita por José Pedro Castanheira e editada pela Porto Editora. VEJA AS FOTOS DO LANÇAMENTO

Muitas tintas para a segunda edição do festival de arte urbana Walk & Talk, que aconteceu em São Miguel, nos Açores, entre 27 de julho e 12 de agosto.
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Muitas tintas para a segunda edição do festival de arte urbana Walk & Talk, que aconteceu em São Miguel, nos Açores, entre 27 de julho e 12 de agosto.

Liqen, o visionário: O galego de 31 anos já pintou pelo mundo inteiro. «Sempre fiz imagens obscuras, ideias do subconsciente, da relação do homem contemporâneo com o meio que o envolve», conta.
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Liqen, o visionário: O galego de 31 anos já pintou pelo mundo inteiro. «Sempre fiz imagens obscuras, ideias do subconsciente, da relação do homem contemporâneo com o meio que o envolve», conta.

Em Ponta Delgada, pintou «um satélite de lixo», uma máquina-humana, «uma visão que tive a dormir», acrescenta. «Já não somos muito diferentes disto», remata.
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Em Ponta Delgada, pintou «um satélite de lixo», uma máquina-humana, «uma visão que tive a dormir», acrescenta. «Já não somos muito diferentes disto», remata.

O canadiano Roadsworth, 38 anos, rendeu-se a São Miguel: «este lugar é especial.» Peter Gibson, de seu nome verdadeiro, costuma deixar graffitis no chão das cidades, mas no porto de Ponta Delgada preferiu pintar na parede e fazer lagartixas nas pedras que detêm o mar. «Gosto sempre de chamar a atenção para algo que já existe no lugar.»
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O canadiano Roadsworth, 38 anos, rendeu-se a São Miguel: «este lugar é especial.» Peter Gibson, de seu nome verdadeiro, costuma deixar graffitis no chão das cidades, mas no porto de Ponta Delgada preferiu pintar na parede e fazer lagartixas nas pedras que detêm o mar. «Gosto sempre de chamar a atenção para algo que já existe no lugar.»

Phil Allard, outro canadiano a participar no Walk & Talk, faz intervenções com objetos de desperdício, para chamar a atenção para as questões ambientais. Em Ponta Delgada, fez rolar pelas ruas da cidade uma enorme bola criada com embalagens usadas, que está agora em exposição à porta da galeria-bar Arco 8.
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Phil Allard, outro canadiano a participar no Walk & Talk, faz intervenções com objetos de desperdício, para chamar a atenção para as questões ambientais. Em Ponta Delgada, fez rolar pelas ruas da cidade uma enorme bola criada com embalagens usadas, que está agora em exposição à porta da galeria-bar Arco 8.

Foi ali, à entrada da cidade, na fachada do Arco 8 que, na primeira edição do Walk & Talk, o português Alexandre Farto, mais conhecido como Vhils, deixou esculpidos dois rostos: o do dono da galeria-bar e o de um pescador.
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Foi ali, à entrada da cidade, na fachada do Arco 8 que, na primeira edição do Walk & Talk, o português Alexandre Farto, mais conhecido como Vhils, deixou esculpidos dois rostos: o do dono da galeria-bar e o de um pescador.

Este ano, Vhils escolheu a ruína de uma casa isolada (em Canada de Mata Mulheres) para fazer a sua intervenção. O rosto de Diana, uma das organizadoras do festival, está agora esculpido ali, tal como as suas mãos, naquele que quer ser um abraço à ilha.
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Este ano, Vhils escolheu a ruína de uma casa isolada (em Canada de Mata Mulheres) para fazer a sua intervenção. O rosto de Diana, uma das organizadoras do festival, está agora esculpido ali, tal como as suas mãos, naquele que quer ser um abraço à ilha.

Nas Portas do Mar, Diogo Machado deixou uma das suas intervenções em azulejo. Num fantástico trompe l’oeil, aquilo que parecem azulejos tradicionais portugueses revelam-se desenhos cheios de pormenor, com figuras contemporâneas.
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Nas Portas do Mar, Diogo Machado deixou uma das suas intervenções em azulejo. Num fantástico trompe l’oeil, aquilo que parecem azulejos tradicionais portugueses revelam-se desenhos cheios de pormenor, com figuras contemporâneas.

Eime, 26 anos, é capaz de estar, durante horas, a recortar as folhas que darão origem, primeiro, a um enorme stencil e, mais tarde, a uma impressão na parede. O cenógrafo que vive no Porto prefere trabalhar com caras e, em Ponta Delgada, pintou um grande rosto de uma velhota, carregado de rugas.
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Eime, 26 anos, é capaz de estar, durante horas, a recortar as folhas que darão origem, primeiro, a um enorme stencil e, mais tarde, a uma impressão na parede. O cenógrafo que vive no Porto prefere trabalhar com caras e, em Ponta Delgada, pintou um grande rosto de uma velhota, carregado de rugas.

Hazul, um artista do Porto de 31 anos, está habituado a pintar sem ser visto e a fugir da polícia pelas ruas que Rui Rio não quer ver sujas de graffiti. Pinta os tapumes que cobrem os prédios abandonados: «costumo dizer que trabalho em parceria com a Câmara...», brinca.
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Hazul, um artista do Porto de 31 anos, está habituado a pintar sem ser visto e a fugir da polícia pelas ruas que Rui Rio não quer ver sujas de graffiti. Pinta os tapumes que cobrem os prédios abandonados: «costumo dizer que trabalho em parceria com a Câmara...», brinca.

Hazul gosta de criar imagens «harmoniosas, enquadradas no lugar e sem serem intrusivas ou sem incomodarem».
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Hazul gosta de criar imagens «harmoniosas, enquadradas no lugar e sem serem intrusivas ou sem incomodarem».

Okuda, 31 anos, veio de Espanha e trouxe o seu estilo inconfundível de formas geométricas super coloridas. Habituado a pintar pelo mundo e a expor em galerias, confessa: «Volto a nascer de cada vez que pinto em grandes fachadas».
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Okuda, 31 anos, veio de Espanha e trouxe o seu estilo inconfundível de formas geométricas super coloridas. Habituado a pintar pelo mundo e a expor em galerias, confessa: «Volto a nascer de cada vez que pinto em grandes fachadas».

Em Ponta Delgada, fez a sua intervenção nos silos da Fábrica Moaçor. «O mais apaixonante é fazer coisas na rua para todos, não só para quem gosta de arte.»
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Em Ponta Delgada, fez a sua intervenção nos silos da Fábrica Moaçor. «O mais apaixonante é fazer coisas na rua para todos, não só para quem gosta de arte.»

José Carvalho, 32 anos, e Tamara Alves, 28, um lisboeta e uma algarvia, começaram a trabalhar juntos em 2010. Os estilos complementam-se e é comum encontrar nas suas pinturas elementos da vida selvagem misturados com elementos humanos. Nos silos do Clube Naval de Ponta Delgada, desenharam duas figuras, mistura de mulher, polvo e veado.
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José Carvalho, 32 anos, e Tamara Alves, 28, um lisboeta e uma algarvia, começaram a trabalhar juntos em 2010. Os estilos complementam-se e é comum encontrar nas suas pinturas elementos da vida selvagem misturados com elementos humanos. Nos silos do Clube Naval de Ponta Delgada, desenharam duas figuras, mistura de mulher, polvo e veado.

De Leiria, mas a viver e dar aulas na ilha Terceira, Inês Ribeiro, 31 anos, não podia ter ficado mais contente com a parede que escolheram para ela: a fachada da Associação Alternativa de apoio a toxicodependentes. Foi ali que, no seu estilo naif, desenhou a história dos homens que ganham asas e voam.
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De Leiria, mas a viver e dar aulas na ilha Terceira, Inês Ribeiro, 31 anos, não podia ter ficado mais contente com a parede que escolheram para ela: a fachada da Associação Alternativa de apoio a toxicodependentes. Foi ali que, no seu estilo naif, desenhou a história dos homens que ganham asas e voam.

O ilustrador e graffiter lisboeta Mário Belém, 35 anos, encheu de azul as piscinas naturais dos poços de São Vicente, na costa norte de São Miguel.
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O ilustrador e graffiter lisboeta Mário Belém, 35 anos, encheu de azul as piscinas naturais dos poços de São Vicente, na costa norte de São Miguel.

A espanhola Doa, 26 anos, mudou-se da Galiza para Lisboa, para estudar Belas Artes. No graffiti, começou por fazer fundos para as pinturas do amigo Liqen, mas acabou por experimentar ir mais longe. No centro de Ponta Delgada, quis deixar um mural de homenagem às ilhas açorianas.
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A espanhola Doa, 26 anos, mudou-se da Galiza para Lisboa, para estudar Belas Artes. No graffiti, começou por fazer fundos para as pinturas do amigo Liqen, mas acabou por experimentar ir mais longe. No centro de Ponta Delgada, quis deixar um mural de homenagem às ilhas açorianas.

Uma conversa com o espelho pode mudar uma carreira política? No caso de Jorge Sampaio, a resposta é afirmativa.

A história, que descreve o processo de decisão da candidatura à Câmara de Lisboa, em 1989, é narrada na primeira pessoa: "Tinha tentado o Nuno Portas, o Gonçalo Ribeiro Teles, etc., etc., e ninguém queria. Os outros - o Cravinho, o Guterres, o Gama e mais não sei quem... - já não tinham querido com o Constâncio, porque haveriam de querer comigo? Como secretário-geral, estava num canto. Fechei-me em casa durante um dia inteiro, completamente enrascado, e decidi em frente ao espelho, depois de receber o António Costa: 'Sou eu!' Percebi que não havia outra saída."

O epílogo de um longa novela: o PS, até então mais fraco que o PCP em Lisboa, e em grande desvantagem, perante a candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, pela AD, não tinha candidato. Sampaio era um líder sem generais. Com esta fuga para a frente, seguiu o exemplo de outros grandes políticos europeus, que também foram autarcas - Chirac, Mitterrand, Willy Brandt -, e estabeleceu a primeira coligação com o PCP (quebrando um tabu), projetando-se como futuro candidato a Belém, sem passar pelo cargo de primeiro-ministro.

A revelação surge nas últimas das cerca de mil páginas do livro do jornalista José Pedro Castanheira, "Jorge Sampaio, uma biografia", Porto Editora, esta quarta-feira, 23, apresentada em Lisboa.

Um primeiro volume que, mais do que biografar o protagonista, narra meio século de vida política portuguesa. O autor entrevistou centena e meia de pessoas, amigos, familiares, colegas de advocacia, parceiros das lides estudantis e políticas, opositores e adversários, o que resulta num fresco cheio de histórias inéditas que ajudam a compreender melhor estes anos decisivos. E a aventura começa na infãncia, entre Sintra, Campo de Ourique (Lisboa) e Baltimore...