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Greve da Função Pública começa com adesão 'entusiasmante'

Portugal

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O agravamento dos cortes salariais para os funcionários públicos levou os sindicatos da UGT e da CGTP a convocarem a greve desta sexta-feia, que poderá levar ao encerramento de escolas, tribunais, finanças e deixar o lixo por recolher nas ruas

Os primeiros números da adesão à paralisação na Administração Pública começaram a ser conhecidos esta manhã, com a coordenadora da Frente Comum, Ana Avoila, a falar numa adesão entre os 70% e os 100% na recolha de lixo e nos hospitais, nos turnos até à meia-noite.

A greve começou na quinta-feira com os bombeiros municipais de Lisboa e prosseguiu depois com os hospitais.

O presidente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, José Carlos Martins, disse à Lusa, por sua vez, que a paralisação está a registar uma adesão de 76,2% no setor. Segundo o dirigente sindical, numa ronda efetuada por 59 hospitais, verificou-se que a adesão no turno da noite varia entre os 44,7% no Hospital de Vila Franca de Xira e os 100% no IPO de Coimbra e no Hospital do Outão, em Setúbal.

"A adesão maior está a registar-se no distrito de Setúbal", sublinhou José Carlos Martins, admitindo que a greve possa vir a ter "um impacto relevante" para os utentes dos serviços de saúde.

Uma adesão "entusiasmante"

Uma adesão "entusiasmante" à greve na função pública e uma "enorme compreensão" por parte dos trabalhadores que não aderiram, foi o que constataram hoje dois dirigentes sindicais nas primeiras horas de paralisação.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, afirmou que, tanto em Lisboa como em Loures, a adesão dos trabalhadores das recolhas de lixo dos serviços municipalizados esteve perto dos cem por cento, pouco depois das 00:00.

Segundo Carlos Silva, entre os trabalhadores estão a circular autocolantes que dizem "Eu estou em greve" e "Eu estou solidário", evitando-se assim um clima de nervosismo entre quem aderiu e não aderiu à paralisação.

Para o secretário-geral da UGT, os trabalhadores não entendem o discurso do Governo "em relação aos números de desemprego, ou que se está a sair da crise", porque há uma contradição com a "violência" inscrita na proposta de Orçamento do estado para 2014.

Francisco Brás, do Sindicato de Trabalhadores da Administração Local (STAL), disse à agência Lusa que a adesão à greve dos trabalhadores daquele setor é "francamente entusiasmante".

"São várias as autarquias que se mantêm nos cem por cento, Alandroal, Amadora, Barcelos, Braga, Moita, Palmela, com grandes adesões. Vila Nova de Gaia e Famalicão com 70 por cento", declarou.

Também nas visitas aos piquetes de greve, Francisco Brás registou lamentos dos trabalhadores, que se queixaram que é muito difícil paralisar, porque lhes custa perder um dia de salário.