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"Governem ou saiam"

Portugal

Passos Coelho desafiou Sócrates a demitir-se já ou a deixar-se de desculpas e 'passar a governar'. Leia a reportagem do editor executivo da VISÃO e COMENTE as declarações do líder do PSD, na célebre Festa do Pontal

É pegar ou largar: ou José Sócrates se demite até 9 de Setembro, estando o Presidente da República detentor dos seus poderes intactos para dissolver o Parlamento e convocar eleições (o que só pode fazer até seis meses antes de novas presidenciais), ou o Executivo "deixa de se comportar como um Governo de gestão e passa a governar em pleno, sem desculpas". Pouco antes, em exclusivo à VISÃO, num hotel em Vilamoura, onde preparou os últimos retoques do discurso, Passos Coelho asseverava que "o PSD não anda à procura de argumentos esquisitos para inviabilizar o próximo orçamento de Estado, nem muda a sua mensagem reformista em função de sondagens". Assim, acrescentou, "O PSD tem a responsabilidade de convencer os oportugueses que há reformas difíceis que é preciso fazer", mas avisa que não votará um orçamento que inclua a "supressão dos atuais benefícios fiscais, nas áreas da Saúde ou da Educação", tema que seria um dos pratos fortes da sua intervenção na Festa do Pontal deste ano. Ainda no hotel, o líder "laranja" disse-nos, contrariando a insistência de Santana Lopes numa candidatura alternativa à de Cavaco Silva, que o apoio do PSD ao atual PR "é uma questão fechada".

O ataque à alegada interferência do Governo na Justiça" foi um dos pontos mais polémicos do discurso, embora, no desenvolvimento do tema,Passos Coelho tenha, sobretudo, acusado o Governo de não intervir onde deve. Assistindo passivamente, por exemplo, à guerra interna no Ministério Público e ao incomprimento da lei nesse mesmo órgão, que mantém em funções um vice-procurador-geral fora do limite legal de idade.

Mendes Bota prepara um livro

O organizador histórico da Festa do Pontal, o líder social-democrata algarvio Mendes Bota, está a recolher elementos, testemunhos e episódios para um livro sobre a história do Pontal. Fechado quase todo o dia de sábado em casa, a alinhavar os temas fortes do seu discurso - que proferuiu, no entanto, de improviso - , Bota disse à VISÃO que o impacto do Pontal, este ano, fica não só a dever-se à presença do líder (Manuela Ferreira Leite esteve ausente em dois anos consecutivos) mas também ao facto de o PSD "estar agora a falar para o País e não para o seu próprio umbigo". Firme nas convicções, afirmou-nos que continuará a defender as suas posições pela regionalização e contra a portagem na Via do Infante, ainda que essa não seja a opinião de Passos Coelho. Enquanto falávamos com Mendes Bota, momentos antes do jantar do Pontal, o líder do PSD do Porto, Marco António Costa, chamava a atenção de Passos Coelho para uma notícia do Diário Económico que denunciava um gasto de 35 milhões de euros em novas viaturas para o Estado. Sugestão que o líder do PSD aproveitou para abrir o seu discurso e "sacar" os primeiros aplausos da noite.