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Fantasporto - o thriller financeiro

Portugal

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O Instituto de Cinema e Audiovisual remeteu para as Finanças e a Inspeção-Geral das Actividades Culturais uma denúncia onde constam supostas ilegalidades sobre o Fantasporto e a cooperativa Cinema Novo. A VISÃO seguiu o rasto das suspeitas. Descobriu uma realidade paralela, onde o certame de maior prestígio internacional do País se assemelha a um filme de série B, mas com guião de luxo da autoria de Mário Dorminsky e Beatriz Pacheco Pereira. Tenha medo, tenha muito medo...

A noite é 4 de março de 2000. O Fantasporto está no auge e o Coliseu prepara festa de arromba para assinalar o fim da edição desse ano. O Baile dos Vampiros espera uma turba de cinco mil "morcegos", "dráculas" e outras espécies noturnas para dançar ao som dos DJ´s Vibe e Mário Roque. Ambiente fantasmagórico e cibernético, onde até Mário Dorminsky, então diretor do Festival Internacional de Cinema do Porto, prometera usar capa vampiresca e afiar o dente. "Quando as portas abriram, já estávamos a ganhar dinheiro!", recorda Rui Pinto Garcia, antigo colaborador da Cinema Novo, a casa onde nasceu o Fantas. Ele angariou os patrocínios que permitiram "a festa veneziana e carnavalesca". Os apoios financeiros vieram de marcas de cerveja, automóveis e telemóveis, "mas também do Metro do Porto, que ainda nem andava, e até de uma empresa de papel higiénico, que entregou cerca de dois mil euros, 400 contos na altura. Um sucesso!". A bilheteira foi dividida entre um empresário da noite e o Fantas. "Aquilo deu uns 150 mil euros de lucro, no mínimo. E sim, é verdade que depois fui levar o dinheiro em sacos plásticos a casa do Mário", confirma Rui Pinto Garcia que, em 2002, decidiu afastar-se do Fantas, na sequência de vicissitudes várias. "Fui membro do conselho fiscal e uma vez o relatório e contas apareceu aprovado sem eu ver. Comecei a chatear-me com estas coisas. Na prática, aquilo sempre foi uma holding do Mário e da Beatriz Pacheco Pereira. A cara do festival é ele, mas ela sempre se comportou como o Iznogoud, a personagem da BD que quer ser califa no lugar do califa", assegura Rui. "O Fantas sempre deu dinheiro para tudo e mais alguma coisa. É o quintal deles". 

Nos idos de março...

Treze anos depois, e aqui não cabem superstições, o pesadelo instalou-se. Em março, a direção da cooperativa comunicou o despedimento coletivo de seis dos seus oito trabalhadores, alegando um "agravamento gradual" da situação financeira. "Fizemos isto para evitar o pior, uma insolvência", admitiu Dorminsky ao Público. Quedas nos negócios paralelos, nas vendas, nos subsídios, nos patrocínios e na bilheteira do Fantas, a par da "carga salarial existente", determinaram, segundo a direção, o afastamento de funcionários que, em conjunto, representavam uma despesa mensal de 6115, 93 euros, ainda assim inferior à soma dos valores auferidos por Beatriz, atual diretora (4500 euros/mês), e pela secretária (2040 euros/mês). Dorminsky, vereador da Cultura na Câmara de Gaia, tem o contrato suspenso. Ainda assim, Mário nunca se habitou a separar as águas: em 2009, por exemplo, ter-se-á deslocado a Vigo no carro da autarquia para participar na apresentação do Fantasporto galego, no Instituto Camões, como "diretor do festival".

Manuela Pacheco Pereira, irmã da diretora, viu ser-lhe recusado o subsídio de desemprego pela Segurança Social por manter funções nos órgãos estatutários e terá sido reintegrada. João Pacheco Pereira, filho do casal Dorminsky, recebe o subsídio de desemprego. Casado com Mariana Valença, sócia-gerente da Prumma, empresa de consultoria e design que presta serviços à Cinema Novo, o filho de Mário e Beatriz, designer e autor de cartazes do Fantas e outras publicações da Cinema Novo, auferia 1750 euros mensais. A Prumma, que João fundou, ocupa as instalações da cooperativa, sem encargos. Os corpos gerentes da Cinema Novo, de resto, são dominados pelo clã Dorminsky: seis dos nove membros são familiares.

Na assembleia geral da cooperativa, realizada a 25 de março e gravada através de um smartphone, foram aprovados os despedimentos e um pedido de empréstimo bancário à Caixa Agrícola, dando como garantia, "caso seja necessário", a hipoteca do antigo Cinema-Jardim, moradia que a Cinema Novo tenta vender há anos por um valor próximo dos 500 mil euros, sem sucesso. A ata desta reunião poderá, porém, estar ferida de ilegalidade, segundo alguns dos presentes: "Nem todos os que participaram assinaram e nem todos os que assinaram lá estiveram", alegam. O sócio Pedro Garcia Rosado, escritor e tradutor, condenado no "caso Moderna" a uma pena de prisão por corrupção passiva, delegou o voto na presidente da direção.

Em maio, entretanto, já um outro "thriller" corria no Instituto do Cinema e Audiovisual. Nesse mês, o ICA recebeu uma denúncia anónima na qual eram reportadas "eventuais ilegalidades relativas ao funcionamento e organização do Fantasporto", confirmou o Instituto à VISÃO. No documento, o Fantas é suspeito de fugir ao IVA nas vendas de produtos (livros e dvd´s), dos bilhetes bónus e dos cartões de participante, dos quais não emitirá faturas. É ainda suspeito de falsificar o número de espetadores com recurso a centenas de bilhetes a custo zero para fazer número, em prejuízo de outros festivais concorrentes aos apoios do instituto. As sessões da manhã, alega-se, são creditadas com lotação esgotada quando terão, no máximo, quinze espetadores. É ainda feita referência à duplicação de faturas enviadas para os organismos públicos que apoiam o festival e a contas bancárias paralelas "onde é depositado o dinheiro vivo". A denúncia remetida ao ICA engloba ainda supostas irregularidades nas atas das assembleias gerais e referências à utilização de verbas e património da cooperativa em benefício particular do "casal Dorminsky" e do filho João.  

O ICA considerou que as alegadas "anomalias" ultrapassavam as suas competências de fiscalização, tendo enviado a denúncia para esse efeito à Inspeção-Geral das Actividades Culturais e Autoridade Tributária e Aduaneira (Finanças), informando o secretário de Estado da Cultura das diligências.

Mas as más notícias para o Fantas teriam sequela: em junho, o ICA comunicou à Cinema Novo a redução para metade do subsídio de 100 mil euros à 34ª edição do festival, a realizar no próximo ano. A cooperativa contestou. "Não foi apresentada qualquer resposta por parte do Festival Fantasporto no prazo determinado para o efeito", comunicou o ICA, em julho, aos responsáveis do evento. Como se chegou aqui?

Mário e Beatriz optaram por não responder às perguntas da VISÃO (ver caixa). "Não sou dos corpos gerentes e, para já, não faço declarações", escusou-se António Reis, também diretor do festival e sócio da cooperativa. 

La dolce vita

Entre finais de 1978 e princípios de 1979, na mesma época em que deram largas à utopia cinéfila e fundaram a cooperativa Cinema Novo, o tenor Dorminsky e a soprano Beatriz dos tempos do Círculo Portuense de Ópera, onde o timbre da paixão soou, ficariam conhecidos no País por razões mais prosaicas. Sem ambos saberem, amigos enviaram para o concurso Ecrã Mágico, da RTP, os cupões para a candidatura do parzinho. Durante dez semanas, e respondendo às mais diversas perguntas sobre a sétima arte, Mário e Beatriz arrecadaram frigoríficos, máquinas de lavar, lençóis, chocolates e outros prémios, tendo o "casal de professores do Porto" merecido parangonas nas revistas e jornais.

Autêntica pedrada no charco da cena cultural portuense, o Fantasporto abriria portas no início da década de 80, sob a égide do fantástico, do terror e do sangue a escorrer. Os lamentos começaram logo em 1982: "Se o dinheiro não chegar enforcamo-nos na Cordoaria", dirão Mário e Beatriz ao Sete, a propósito da falta de apoios, fiéis à simbologia do festival, onde rolavam cabeças a cada bobine.

À medida que o Fantas se consolida, se internacionaliza e ganha estatuto de culto, os queixumes vão manter-se e até ampliar-se. "Os minguados apoios financeiros", a falta de "metal sonante" e os "pedidos de esmola" são referidos a cada edição, sempre sob a ameaça de não se realizar a seguinte. Exceção maior, talvez, o momento em que o ex-secretário de Estado da Cultura Santana Lopes, assobiado no certame em pleno cavaquismo, decidiu logo ali duplicar os apoios do Estado ao festival, esquecendo-se, na emoção do momento, que já o havia feito na edição anterior.

Com os anos, o Fantas "revela" nomes como Cronenberg, Carpenter ou Almodóvar. Atrai o ator Ben "Ghandi" Kingsley, os realizadores Wim Wenders e Guillermo del Toro ao Porto, mas também uma Rosanna Arquette alcoolizada e decadente e uma Mulher de Vermelho barata e esquecida, que os convites tinham manga curta. David Lynch, que Dorminsky várias vezes referiu como tendo estado presente no Fantas, nem em holograma foi visto por cá. Mas o festival merece referências elogiosas na revista Variety e o diretor é solicitado para júris e festivais. Por cá, continuará a dizer que o centralismo mata a ousadia portuense, que "a Transilvânia está no Terreiro do Paço" e o festival, parco em apoios estatais e privados, opera "o milagre da multiplicação dos pães".

Enquanto o Fantas se institucionaliza, o casal muda de vida. Casas são quatro, de acordo com a declaração sobre o património e rendimento dos titulares de cargos políticos entregue por Dorminsky no Tribunal Constitucional, em 2009. A mais recente, um T4 com terraço virado ao mar, é em Gaia. Há ainda uma outra em Esmoriz, com piscina. O apartamento na marina de Vilamoura, onde Mário e Beatriz chegaram a ter Herman José por vizinho, foi vendido há anos.

Segundo antigos e atuais membros da Cinema Novo, o parque automóvel alegadamente pago pela cooperativa - no qual se incluem um Mitsubishi Pajero, um Toyota Aygo e um Nissan, todos com alguns anos - é usado quase em exclusividade por Dorminsky, Beatriz e o filho João. Na declaração ao TC, Mário assume o Mitsubishi como seu. As mesmas fontes asseguram que o dinheiro da Cinema Novo também serviu para pagar o livro País em Chamas, de Dorminsky, com prefácio do presidente da Câmara de Gaia, e empréstimos e obras nas residências do clã, além das despesas de água, luz e telefones. Segundo fontes da Cinema Novo, na contabilidade da aparecem ainda faturas de duas agências de detetives. 

Ao longo dos anos, e fora dos períodos mais atarefados do Fantas, Dorminsky, Beatriz e, por vezes, o filho e a nora, viajaram a expensas da cooperativa. A Cinema Novo pagou ao casal, entre outras, deslocações e estadias em Roma, Londres e até um cruzeiro no Mediterrâneo e Terra Santa a rondar os 1700 euros, sem aparente relação com a atividade do festival.

Justificadas no âmbito de promoção do Fantas eram as viagens anuais a Cannes, onde vários elementos da Cinema Novo se deslocaram até 2010, data da última presença. O grosso da equipa partilhava apartamentos ou águas furtadas de meter medo ao susto longe do bulício reluzente do certame, mas nem por isso a preços módicos. Mário e Beatriz, porém, tinham os seus privilégios: na quinzena mais importante do cinema europeu nunca prescindiam do quarto com varanda no glamoroso Hotel Splendid, virado para a marina e os iates das estrelas. "Muitos, e todos um espanto. Quem nunca deu uma volta pelo cais de Cannes não sabe o que significa ser verdadeiramente rico. Raiva, só raiva", escreveu Beatriz, numa das suas crónicas. A diária do Splendid no período do festival não é para todos: oscila entre 440 e 550 euros.

Nesses dias, e segundo testemunhos de vários membros da comitiva, Dorminsky e Beatriz viam poucos filmes, mas iam às receções. Viam e eram vistos. No resto do tempo, Mário dava corda ao cartão de crédito da cooperativa em jantares, compras e visitas ao mercado de antiguidades. "No final, todos estão mortos por regressar a casa. Cannes é um pesadelo de trabalho, um horror de "stress" envolto no papel brilhante do "glamour" das estrelas", desabafou, porém, Beatriz, num dos seus livros.

O cartão de crédito atribuído a Dorminsky sempre fez furor. E deixou em sobressaltos secretárias da Cinema Novo na hora de tentar justificar despesas. Segundo relatos de antigos e atuais membros da cooperativa à VISÃO, os gastos do fundador e diretor com o cartão chegaram a atingir mais de cinco mil euros por mês. Daí nasceram as duas "cavernas do Ali Babá", a forma como os funcionários designavam, por graça, os escritórios atulhados de milhares de dvd´s, blueray´s, cassetes, cd´s e livros, alguns comprados em duplicado e triplicado, dos quais só Dorminsky tem a chave. "Por vezes, nem ele disfarçava o embaraço. Chegavam tantas caixas da Amazon por dia que nem o conseguíamos ver sentado à secretária", relata quem viveu a Cinema Novo por dentro. Oficialmente, a cooperativa - que beneficia, por lei, de isenções fiscais - dispõe de um "arquivo" de cinco mil cartazes de cinema, "uma biblioteca ampla" e uma "videoteca", espólio onde é difícil distinguir o que pertence à casa e a Dorminsky. "Onde estão as dezenas de serigrafias de Bill Plympton que o Mário comprou num cruzeiro?", perguntam, a título de exemplo, antigos funcionários, que sempre se habituaram a ver obras de arte, equipamentos informáticos, de áudio e som, dvd´s e livros pagos pela cooperativa passarem para a residência do casal na Rua Aníbal Cunha, mesmo defronte das instalações da Cinema Novo. Não se pense, porém, que Mário olhava para o umbigo: ex-funcionários recordam, com saudade, os tempos em que o "chefe" comprava computadores portáteis para todos e dava subsídio e mês de férias extra após cada edição do Fantas.

Apocalipse now

Aos 80 anos, Leandro Ferreira adverte: "A minha memória já não é a melhor". Mas o antigo fundador e contabilista da cooperativa Cinema Novo ainda recorda os motivos pelos quais, há uns bons anos, se demitiu. "Houve uma daquelas fiscalizações de rotina das Finanças, mas o Mário, que era o maestro e o senhor absoluto daquilo, não me deixava ter acesso às contas bancárias nem a qualquer documento das mesmas. Como ele, por hábito, lidava mal com as minhas observações, vim-me embora", recorda, aludindo, contudo, ao facto da cooperativa "ter funcionado bem durante anos, sem dever nada a ninguém". No caso do Fantasporto, "o dinheiro deu para tudo". O erro, assume Leandro Ferreira, "foi nunca se ter posto de lado uma verba para prevenir as tempestades".

O ano de 2005, data em que o Fantas celebrou 25 anos, marcaria uma viragem na vida da Cinema Novo e do festival, para o bem e para o mal. Nesse ano, Dorminsky celebrou o cinquentenário. O Grande Hotel do Porto foi pequeno para a centena de pessoas, entre os quais políticos de todos os quadrantes, que lhe cantaram os parabéns. Dorminsky seria, nessa noite, desafiado a

vestir uma t-shirt com os dizeres I´m a lesbian in a man´s body.

Ex-maoísta da FEC (ML), Mário distribuiu na ocasião um porta-chaves com o lema Ousar Viver, Ousar Fazer, trazendo à memória reminiscências do slogan Ousar Lutar, Ousar Vencer, adotado pelo MRPP. Confusões ideológicas e de género à parte, a fatura do jantar, 2900 euros, foi paga pela Cinema Novo.

Em setembro daquele ano, Mário tinha já garantido o cargo de vereador da Cultura da Câmara de Gaia, o que acontecerá dali a um mês quando Luís Filipe Menezes iniciar o terceiro mandato. Nessa altura, dispensará os serviços da advogada a quem recorrera para forçar o autarca do PSD a cumprir um protocolo celebrado entre a autarquia e a cooperativa no ano 2000 para a criação de um Centro Multimédia da Cinema Novo em antigas instalações da Real Companhia Velha. Argumento? "Está resolvido", terá dito, na ocasião. À VISÃO, Andreia Tavares, a causídica que tomou conta do caso, confirmou o teor da dispensa dos serviços, mas recusou adiantar pormenores ao abrigo do sigilo profissional. Já com Dorminsky na Câmara, o protocolo continua em vigor...e por cumprir. O armazém prometido, esse, já serviu para outros fins.

A questão da sobrevivência do Fantas e de uma cooperativa cuja atividade intensa decorre por um período inferior a metade do ano agudizou-se desde 2005. Já diretora, Beatriz tentou, junto da Câmara do Porto, duas soluções: "Propôs uma espécie de municipalização do festival que passava pela criação de um gabinete especial para o qual a autarquia a requisitava como diretora e lhe pagava o ordenado. A ideia foi rejeitada", esclarece Manuel Teixeira, chefe de gabinete de Rui Rio. "Procurou também que o município comprasse o Cinema-Jardim, a casa da Rua da Constituição. A cooperativa continuaria por lá e nós pagávamos aquilo a prestações. Era uma forma de subsídio e, apesar de se terem prolongado conversas, rejeitou-se também a solução", adianta.

A criação de uma fundação foi a última ideia para salvar o Fantas. Anunciada diversas vezes, ainda não saiu do papel. Foram enviados centenas de convites a figuras públicas, empresas e partidos políticos para apoiarem e se tornarem sócios de algo que nem sequer tinha estatutos ou fora institucionalizado. Respondeu o PCP com um cheque de 100 euros.

"Nós somos o pastel de Belém", assumiu Mário numa conferência de imprensa de fevereiro último para falar do Fantas, um festival de pouco dinheiro, "mas muitos amigos e parcerias", disse. "Nunca fomos subsidiodependentes", atalhou Beatriz. O certame, que já teve orçamentos de três milhões de euros em tempos de bonança, não vai ultrapassar, na próxima edição, os 250 mil euros. Já reduziu os convites e concentrou esforços. "O Fantas faz-se por 100 mil euros, no máximo", garantem, porém, antigos e atuais membros da cooperativa. Nas denúncias chegadas ao ICA reclama-se uma auditoria às contas. A diretora continua a dizer que o evento é vítima de "desleixo, ignorância e até alguma maldade".

Beatriz, colecionadora de globos de neve, antiga professora e agora também artista plástica com atelier e galeria de arte montados, assumiu que o Fantas se faz num cenário de "precariedade absoluta". Algo certamente difícil para uma mulher que nasceu numa família com origens na Idade Média e se habituou, ao lado do marido, "a fazer tudo em grande". Dorminsky nunca fez por menos. O sonho deste antigo vendedor de talheres e jornalista, era, confessou à Caras, ter "um loft na 5ª Avenida" e atravessá-la para ir às galerias de arte ou a um qualquer restaurante deslumbrante". Para já, quando muito, atravessará a ponte entre Gaia e Porto. Ou será que o candidato à Câmara Luís Filipe Menezes já não vê nele "o Senhor Cultura" de que a cidade Invicta precisa, como afirmou em tempos?

Dorminsky: o "Relvas" de Gaia?

"Tem o curso de cinema da New York Film School, de Comunicação Social da Escola de Jornalismo do IJDL e de Gestão e Marketing da ESMAP". Até há pouco tempo, assim começava o currículo oficial de Mário Dorminsky. Mas se hoje acedermos à página oficial do município de Gaia, damos pela falta destes "canudos". Apesar de diversas tentativas - inclusive junto do próprio - a VISÃO não conseguiu confirmar qualquer dos cursos do antigo diretor do Fantas. Em dois casos - IJDL e ESMAP - nem sequer descortinou de que entidades se tratam, embora não possa afirmar a sua inexistência. Convidado a esclarecer em que ano e instituições concluiu as formações, o vereador da Câmara de Gaia optou por não responder.

Quanto recebeu o Fantas?

As contas são por baixo, não havendo documentação disponível nas diversas entidades em relação a todas as edições do festival (33 até ao momento). Ainda assim, eis o que foi possível apurar pela VISÃO relativamente a apoios públicos ao certame (não foram contabilizados financiamentos privados):

ICA

2.209.885, 40 euros (entre 1997 e 2013)

Câmara do Porto

1.033.267,45 euros (entre 1991 e 2013)

Turismo de Portugal

260 mil euros (entre 2007 e 2010)

Programa Media da União Europeia

92 mil euros (entre 2011 e 2013)

Fontes: ICA, Câmara do Porto, Turismo de Portugal, Media Desk

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