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"Desilusão e revolta" saem à rua este sábado

Portugal

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Uma "manifestação gigante" que demonstre a desilusão e a revolta da sociedade portuguesa é o que os promotores do protesto "Que se lixe a troika, o povo é quem mais ordena" esperam no sábado

Mais de 40 cidades portuguesas e no estrangeiro vão aderir à manifestação de sábado para dizer "basta" ao Governo e à 'troika', segundo os organizadores.

"Vai ser uma manifestação gigante. Se vai ser maior ou não do que a de 15 de setembro, não importa. O importante é sentir o pulso da sociedade, que é uma sociedade profundamente revoltada, desiludida e zangada com o rumo que tudo está a levar", disse à agência Lusa uma das subscritoras do apelo, a jornalista Myriam Zaluar.

O movimento "Que se lixe a troika", que organizou uma das maiores manifestações realizadas em Portugal, a 15 de setembro do ano passado, prevê para sábado vários e enormes protestos pelo país.

"A comparação com a manifestação de 15 de setembro é inevitável, mas é preciso dizer que as circunstâncias são outras, muitas das pessoas que estiveram nas ruas a 15 de setembro já não estão em Portugal, algumas delas estão muito mais deprimidas do que estavam em setembro, porque a situação é bem pior", sustentou Myriam Zaluar.

A manifestação foi agendada para o dia 2 de março, para coincidir com a presença em Portugal de elementos da 'troika' que está a fazer a sétima avaliação.

A presença em Portugal dos elementos em representação da União Europeia, Banco Central Europeu e do Fundo Monetário Internacional, é "chumbada claramente" pelos promotores do protesto.

Movimentos e "marés"

Para a ativista, é "preciso devolver o poder ao povo", sublinhando que este governo "está a trair os princípios pelos quais foi eleito".

Myriam recusa que os membros do movimento "Que se lixe a troika" se posicionem para se apresentarem como alternativa ao Governo, argumentando que "há dezenas de alternativas às políticas que estão a ser seguidas por este Governo e que não passam certamente pela destruição do Estado social".

Vários movimentos, como a Plataforma 15 de outubro, já anunciaram que se vão juntar à manifestação de sábado, bem como a central sindical CGTP.

Em Lisboa, está também previsto que três "marés", da Educação, Saúde e Reformados, se juntem à manifestação que vai sair do Marquês de Pombal em direção ao Terreiro do Paço.

"As marés não são de forma nenhuma concorrenciais, todas as marés se juntaram num enorme caudal que irá desembocar ao Terreiro do Paço", afirmou.

Para Myriam Zaluar, o importante é que, no sábado, "as pessoas saiam à rua, façam ouvir a sua voz, façam o Governo entender que já chega e que digam basta".

Na segunda-feira, no final de uma conferência de imprensa para divulgação da manifestação, junto às chegadas do aeroporto de Lisboa, um dos elementos do movimento foi identificado pela polícia. O mesmo tinha acontecido na conferência de imprensa de apresentação da manifestação de 15 de setembro.

Questionada, a jornalista considerou que "neste momento há ordens vindas de cima, obviamente do ministério da tutela, que tende a criminalizar o protesto", sendo exemplo disso os vários processos que decorrem em tribunal, nomeadamente o seu que está a decorrer no Tribunal de Pequena Instância de Lisboa por desobediência qualificada depois de ter sido identificada pela PSP numa tentativa de inscrição coletiva de desempregados num centro de emprego. Porém, a ativista disse ainda que não tem medo destas "tentativas de intimidação".