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Desemprego sobressai como o pior indicador de dois anos de Governo

Portugal

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José Carlos Carvalho

Os dois anos de governação PSD/CDS-PP têm sido marcados pela degradação da atividade económica com especial destaque para o agravamento da taxa de desemprego que passou de uma expectativa inicial de cerca de 13% para quase 19%

Quando Portugal pediu ajuda financeira ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Bruxelas, as condições de financiamento da República tinham-se tornado insustentáveis e os indicadores económicos apontavam já para uma deterioração generalizada da economia, mas nem as previsões mais pessimistas da 'troika' na altura anteviam o que veio a acontecer.

Eis alguns exemplos da situação económica portuguesa antes do pedido de ajuda e qual a situação atual:

PIB

Portugal fechou o ano de 2010 com um crescimento económico de 1,9% do Produto Interno Bruto, um valor influenciado por gastos excessivos da parte do sector público que acabaram por pesar no défice orçamental e no nível de dívida pública.

Em 2012 a recessão atingiu os 3,2% de acordo com os mais recentes dados do Instituto Nacional de Estatística, o segundo pior resultado na história da economia portuguesa desde que existem dados. Pior só em 1975. Este ano a recessão vai manter-se e deverá atingir pelo menos 2,3%.

Desemprego

Em 2010 os dados do INE apontavam para uma taxa de desemprego nos 10,8%, em média anual, e 11,1% no último trimestre do ano. Entre os jovens (dos 15 aos 24 anos) a taxa de desemprego era já de 22,4%.

Os mais recentes dados furam todas as previsões, até as mais recentes. Segundo o INE, a taxa de desemprego em média anual ficou nos 15,7% em 2012, no quarto trimestre o desemprego bateu novos máximos históricos chegando aos 16,9% e o desemprego jovem atingiu os 37,7%. A previsão feita no início do programa apontava para que o desemprego fosse no máximo até aos 13%, agora já contempla 18,5% de taxa média anual no próximo ano e um pico de quase 19% este ano em termos trimestrais.

No primeiro trimestre deste ano, o INE deu conta de um agravamento da taxa trimestral para os 17,7%, enquanto o desemprego jovem subiu para os 42,1%.

Défice orçamental

Em 2010 o défice orçamental terminou o ano nos 8,8% do PIB, um dos valores mais altos de sempre, mas que também se tratava de uma redução face aos mais de 10% registados no ano anterior.

Em 2012 o resultado confirmado pelo Eurostat na primeira notificação do ano enviada a Bruxelas ao abrigo do Procedimento dos Défices Excessivos é de 6,4%. O valor acordado com a 'troika' era de 5% do PIB, e do acordo com os critérios estipulados no memorando até terá ficado nos 4,9%, mas o chumbo da inclusão da receita da venda da concessão da ANA - Aeroportos de Portugal, juntamente com outros efeitos, tais como os 750 milhões de euros de compra de acções no aumento de capital da CGD aumentaram este valor.

Para 2013 a meta acordada com a 'troika' é agora de 5,5%, mas as dúvidas sobre o cumprimento chegaram já através da OCDE, que não tendo ainda em conta o orçamento rectificativo, espera que a meta resvale para 6,4% do PIB e pede mesmo para que se deixe falhar a meta se for culpa de mais fraco crescimento que o esperado.

Dívida Pública

Em 2010, depois de alguns anos a subir de forma acentuada, o rácio de dívida pública de acordo com os critérios de Maastricht terá fechado o ano nos 93,5%.

Em 2012, a dívida pública terá atingindo os 123,7% do PIB, mais 30,2 pontos percentuais do PIB em apenas dois anos, fruto também do valor do PIB usado para calcular esta taxa ser mais baixo depois de dois anos de forte recessão.

Este ano o executivo espera que a dívida pública atinja os 122,4% mas a OCDE já veio dizer que espera que esta cresça para mais de 127%.

Défice Externo

Em 2010 o défice externo atingiu os 8,4% do PIB, o que é já uma redução face aos valores superiores a 10% que se registaram em 2009. As exportações terão crescido 8,8%.

Em 2012, o saldo externo foi positiva pela primeira vez em várias décadas, fechando o ano com um saldo positivo da soma da balança corrente e de capital de 1.313 milhões de euros, naquela que tem sido a parte do ajustamento que melhor tem corrido às autoridades portuguesas, devido sobretudo a uma queda nas importações, numa altura em que o aumento esperado das exportações começa a dar sinais de fraqueza.

Crédito às famílias e empresas

Desde que Portugal fez o pedido de ajuda à 'troika' de credores externos, o financiamento da banca à economia tem estado em contracção, com uma queda de mais 20 mil milhões de euros nos empréstimos às empresas e famílias para 237.682 milhões de euros entre Abril de 2011 e Março de 2013, segundo os últimos dados do Banco de Portugal.

As empresas são quem mais tem sentido constrangimentos, com os empréstimos a caírem 11.825 milhões de euros para 105.236 milhões de euros.

Já o crédito aos particulares reduziu-se em 9.547 milhões de euros nestes quase dois anos, tendo-se fixado em Março nos 132.446 milhões de euros. A maior redução foi registada no crédito à habitação.