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D. Januário desafia núncio apostólico a esclarecer "caso D. Carlos Azevedo"

Portugal

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"O senhor núncio está dentro de todo o dossiê", revela o bispo das Forças Armadas, em entrevista à Antena 1

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"Quem podia resolver isto era o senhor núncio, era a Nunciatura (...) O senhor núncio está dentro de todo o dossiê", afirmou D. Januário Torgal Ferreira numa entrevista transmitida hoje pela RDP-Antena 1, referindo-se ao caso de alegado assédio sexual do antigo Bispo Auxiliar de Lisboa ao padre José Nuno, revelado pela VISÃO.

Segundo o Bispo das Forças Armadas, só Rino Passigato, representante diplomático da Santa Sé em Portugal, pode esclarecer, se quiser, o que efetivamente se passou. Até porque "estando [o núncio] dentro de todo o dossiê", corre-se o risco de parecer que "não houve nada".

D. Januário confessa não gostar que se mantenha uma dúvida a pairar na opinião pública sobre D. Carlos Azevedo. Contudo, advertiu, é também de admitir que o autor da queixa não seja "pidesco" e tenha "cicatrizes na alma tão sérias como as cicatrizes impressas naquele ao qual se refere essa denúncia (...). Uma denúncia pode ter um alto sentido de responsabilidade (...)", referiu.

Para D. Januário, não há dúvidas: o caso envolve "duas pessoas de grande cariz apostólico, de grande personalidade". O bispo confessa-se amigo de D. Carlos Azevedo, mas, adverte, "sou muito mais amigo da verdade". Já o padre José Nuno parece-lhe "alguém que apresenta um sofrimento que vem de muito longe". Admite, pois, que na origem da denúncia possa estar o facto do coordenador nacional das capelanias hospitalares ter dado conta de que D. Carlos se preparava para "assumir responsabilidades muito mais altas" e então se ter perguntado: "Então este é que vai para esta responsabilidade? Vai passar o mal para outros? No fundo, o crime compensa? São perguntas muito sérias", assinalou D. Januário.

O bispo aproveitou ainda para deixar uma farpa a Marcelo Rebelo de Sousa que, no domingo, na TVI, criticou as suas afirmações "infelizes" sobre o tema e considerou a polémica resolvida com o desmentido da Santa Sé. "O senhor professor Marcelo, às vezes julga que é a sibila nacional", reagiu o bispo, deixando no ar uma pergunta: "O que é que ele sabe do caso?"