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Cavaco contra a privatização da RTP

Portugal

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O presidente da República manifesta-se contra a privatização da RTP na entrevista concedida ao Expresso por ocasião do quadragésimo aniversário do semanário

Anibal Cavaco Silva defende que cabe ao Estado garantir o serviço público de televisão. Na entrevista ao Expresso, publicada este sábado, o Presidente da República diz que espera que o Governo respeite esse princípio consagrado na Constituição e que saiba encontrar os consensos necessários para garantir o futuro da RTP.

Na entrevista exclusiva, Cavaco Silva afirma que "cabe ao Estado garantir a existência de um serviço público de televisão".

A discussão do futuro da RTP estivera anunciada para uma das últimas reuniões do Conselho de Ministros em 2012, acabou adiada para o início de 2013, admitindo-se agora que não venha a ocorrer antes de concluído o primeiro trimestre do ano.

O presidente da RTP disse ontem que espera que a decisão sobre o futuro da empresa seja tomada em breve e que a transferência da RTP2 para o Porto foi feita em sintonia com a tutela, segundo fonte oficial. 

O elemento da subcomissão de trabalhadores do Centro de Produção Norte Luís Miguel Loureiro afirmou à Lusa que o presidente do conselho de administração da estação pública, Alberto da Ponte, "garantiu aos trabalhadores que a RTP2 é para continuar", dado avançado durante a reunião de hoje com os funcionários do Monte da Virgem, em Vila Nova de Gaia. 

De acordo com fonte oficial da RTP, o presidente do conselho de administração da estação pública afirmou aos trabalhadores do Centro de Produção Norte que nem a RTP nem o próprio Alberto da Ponte decidem ou "sequer têm intervenção" na data da decisão do Governo, esperando apenas que seja em breve, o que "pode acontecer em qualquer um dos próximos Conselhos de Ministros". 

A entrevista do Expresso a Cavaco Silva foi conduzida pelos jornalistas Ricardo Costa, José Pedro Castanheira e Luísa Meireles.

Destaque, ainda, na edição deste sábado, para uma entrevista no caderno de economia com a diretora-geral do FMI - Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde. Na entrevista ao Expresso, a responsável pelo FMI considera "uma infelicidade" não se ter previsto a inconstitucionalidade de algumas medidas, e que Portugal e Irlanda ficam melhor sem as benesses da Grécia.

"O facto de não termos previsto a inconstitucionalidade de algumas medidas propostas no ano passado também foi uma infelicidade", disse a responsável numa entrevista realizada em Washington, na sede do FMI.

Christine Lagarde aponta ainda a elevada taxa de desemprego, os elevados custos de financiamento das empresas portuguesas face aos praticados a nível europeu e a dificuldade em reduzir as rendas excessivas em setores não transacionáveis.